SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A escola Acadêmicos de Niterói, que homenageou em desfile no Rio de Janeiro o presidente Lula (PT), declarou nesta segunda-feira (16) sofrer perseguição política e disse que “mesmo pressionada, não se curvou”.

As perseguições que afirmou sofrer, segundo nota da agremiação, vieram de “ataques de setores conservadores e, de forma ainda mais grave, de gestores do Carnaval carioca”.

A Acadêmicos afirmou também que “houve tentativa de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar”.

O desfile em homenagem ao presidente abre margem a condenação por ilícitos eleitorais, disseram advogados ouvidos pela Folha nesta segunda.

O partido Novo já anunciou que vai ajuizar ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pedindo a inelegibilidade do titular do Palácio do Planalto.

Além de exaltar Lula, a escola também levaria à avenida a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que desistiu de desfilar para evitar problemas na Justiça Eleitoral.

A apresentação contou com ala em que integrantes da escola desfilaram com roupas vermelhas com estrelas no peito, mas sem o número 13 do PT. O jingle “olê, olê, olá, Lula! Lula!” constou no enredo, bem como referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como palhaço e presidiário.

O desfile gerou reação da oposição, que já havia recorrido à Justiça contra o desfile sob justificativa de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder.

A Acadêmicos rebateu e afirmou na nota divulgada nesta segunda que “resistimos e levamos para a avenida um desfile verdadeiro, potente e coerente com a nossa identidade” e declarou esperar “um julgamento justo, técnico e transparente, que respeite o que foi apresentado na avenida e não reproduza perseguições, interesses ou pré-julgamentos”.

O ex-presidente Michel Temer (MDB), retratado durante o desfile arrancando a faixa da também ex-presidente Dilma Rousseff (PT), numa alusão ao impeachment da petista que é visto pela esquerda como um golpe, também se manifestou.

Em nota enviada pela assessoria, Temer chamou de “bajulação” o desfile feito em homenagem a Lula e afirmou que ” não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí”.

“A sátira política é parte da tradição do Carnaval. E como defensor da liberdade de expressão e da liberdade artística, não julgo as escolhas feitas como tema na avenida”, escreveu.