SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Museu Britânico retirou a palavra “Palestina” de parte das exposições permanentes sobre o Oriente Médio. A mudança afeta mapas e textos explicativos que identificavam a costa leste do Mediterrâneo com esse nome em diferentes períodos históricos.
Segundo a instituição, a revisão ocorreu após consultas públicas realizadas no ano passado e levou em conta a avaliação de que o termo deixou de ser historicamente “neutro”. Em seu lugar, passaram a ser usadas denominações consideradas mais adequadas a cada época, como Canaã, reinos de Israel e Judá ou Judeia. Em um dos painéis, a expressão “ascendência palestina” foi substituída por “ascendência cananeia”.
A decisão foi precedida por uma carta da associação UK Lawyers for Israel ao diretor do museu. O grupo argumentou que aplicar retrospectivamente o nome “Palestina” à região ao longo de milênios poderia obscurecer mudanças históricas e minimizar a existência dos antigos reinos israelitas.
Após a alteração, uma petição online reuniu milhares de assinaturas pedindo que o museu volte atrás. Os críticos afirmam que o termo é usado há mais de dois mil anos, foi citado por Heródoto no século V a.C. e em “Otelo”, de William Shakespeare, por exemplo, e que sua retirada contribui para o apagamento da presença palestina na memória pública.
O museu informou que seguirá a terminologia da ONU para fronteiras atuais e que ajustará os termos históricos conforme o período retratado.



