FOLHAPRESS – O bloco Que Pena Amor reúne uma multidão de foliões fã de pagode no centro do Rio nesta segunda-feira (16). Embalados por hits de pagode dos anos 90 aos atuais, o bloco emociona jovens e adultos.
A recepcionista Hilda Gonçalves, 37, e a enfermeira Vitória Cipriano, 27, chegaram cedo para aproveitar o bloco de pagode. “Primeira vez que venho e vim porque gosto muito de pagode”, diz Gonçalves.
As amigas saíram de Laranjeiras, na zona sul do da capital, para a folia. “Achei a localização melhor que no ano passado, até pra questão de segurança, as grades. E dá para trafegar no entorno”, complementa Cipriano.
ÁGUA VIVA
A fantasia de água-viva virou uma das novidades dos blocos de rua do Rio neste Carnaval.
Fantasia de água-viva vira novidade nos blocos do Rio neste Carnaval. Com tentáculos coloridos balançando ao vento e tecido translúcido refletindo o sol, o figurino tem aparecido como novidade nas ruas.
A médica Thaís Magalhães, 30, produziu a fantasia para ela e para o namorado. Cada uma custou cerca de R$ 200.
Ela comprou parte dos itens pela internet e outra no comércio da Saara, no centro do Rio. A base foi um chapéu de palha, preenchido com espuma de travesseiro para dar formato arredondado. Depois, revestiu com tecido furtacor e colou os tentáculos com cola quente.
“Eu pesquisei algumas inspirações na internet e vi essa. Gostei da ideia porque é uma forma diferente de usar chapéu e proteger desse sol quente que faz nessa época aqui no Rio”, disse.
Natural de São Paulo e morando no Rio há três anos, Thaís afirma que já conhece a maratona de blocos da cidade e pensou na fantasia também como estratégia contra o calor.
A água-viva ganhou força nos últimos dias nas redes sociais, com tutoriais ensinando como montar o figurino. Em geral, a orientação é usar um chapéu como base, aplicar tecido leve e transparente cortado em formato circular, e prender tiras longas de fita, tule ou plástico fino para criar o efeito dos tentáculos soltos.
CÂMERA DIGITAL
Em meio às fantasias e ao glitter, um acessório tem se repetido nos blocos de rua do Rio neste Carnaval: câmeras digitais compactas, modelo que fez sucesso nos anos 2000.
Elas têm sido usadas principalmente por jovens para registrar a folia.
A estudante universitária Maria Luiza Lemos, 20, levou a câmera antiga para um bloco na zona sul do Rio. “É mais barato se me roubarem”, disse.
“Tenho essa câmera há muitos anos, já perdeu um pouco do valor comparado ao meu celular. Então, optei por deixar meu celular em casa, pra evitar furtos, roubos. Trouxe só doleira com documento, cartão e a câmera digital para garantir as fotos com meus amigos”, afirmou.
Nos blocos, o equipamento aparece como alternativa ao smartphone e também como parte do visual. O flash direto e as imagens menos nítidas, comuns nesses modelos, têm sido valorizados pelos jovens, que registram amigos e fantasias com a estética característica das câmeras da década de 2000.
A preocupação com furtos de celulares durante a folia também influencia a escolha. Na sexta-feira (13), policiais civis disfarçados prenderam em flagrante dois suspeitos de furtar aparelhos em um bloco em Santa Teresa. Segundo a Polícia Civil, a ação integra a Operação Rastreio, que atua contra roubos, furtos e receptação de celulares durante o Carnaval.
CALOR
Sob sol forte e temperatura que pode chegar aos 35°C nesta segunda-feira (16), foliões que acompanham o Vem Cá, Minha Flor no centro do Rio improvisam estratégias para enfrentar o calor.
Entre elas, aproveitar a distribuição de chapéus feita por patrocinadores do bloco e disputar espaço sob um super jato d’água que circula pelo cortejo. Com equipamento portátil, promotores lançam rajadas sobre a multidão, que se aproxima em busca de alguns segundos de refresco.
Uma foliona chegou a simular um banho no meio da rua, inclinando a cabeça para trás e molhando os cabelos para aliviar o calor.
Segundo o Alerta Rio, sistema de monitoramento da prefeitura, o tempo nesta segunda de Carnaval é influenciado pelo calor e pela umidade, que pode ocasionar chuva isolada à tarde.
BLOCO INFANTIL
Bolinhas de sabão, jatos de espuma, confetes e serpentinas resumem o clima do bloco infantil ‘Largo do Machadinho, mas não Largo do Suquinho’, na zona sul do Rio, nesta segunda (16).
Fantasiadas de princesas, super-heróis, bichinhos e personagens de desenhos animados, crianças acompanham marchinhas tradicionais e músicas infantis adaptadas em ritmo de Carnaval, ao som de uma orquestra, desde às 9h, na praça do Largo do Machado.
A turismóloga Silvana Rocha, 37, levou a filha Maria Clara, de 6 anos, e os sobrinhos, de 3 e 4 anos, para aproveitar a programação. Atenta ao calor, carregava um pote de melancia e distribuía o lanche. “A gente mora aqui perto, então eu trouxe uma bolsinha térmica com água e essas frutas”, disse.
Entre uma música e outra, as crianças se revezam entre a roda formada diante da banda e os brinquedos infláveis montados na praça.
Tradicional na segunda-feira de Carnaval, o nome faz referência ao Largo do Machado, mas não Largo do Copo. Na versão infantil, o espaço é ocupado por famílias e foliões mirins. O bloco segue até às 15h.



