RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A poucas horas de estrear na Marquês de Sapucaí como musa do Salgueiro, Cintia Dicker, 39, vive uma mistura de emoções. Entre ensaios, provas de fantasia e preparação física, a modelo mergulhou de cabeça no universo do samba para realizar um sonho antigo. E a ansiedade tem sido tanta que até já invadiu o sono.

“Eu tive um pesadelo de que estavam me cortando do desfile. Me ligavam dizendo que eu não ia mais participar”, conta ao F5. “Acordei desesperada, mandei mensagem para a equipe para saber se estava tudo certo (risos).”

Apesar da tensão típica de quem vai cruzar a avenida pela primeira vez, Cintia garante que tenta viver o processo com leveza. “A gente começou a preparação em outubro do ano passado. Parece que passou muito rápido e, ao mesmo tempo, sinto como se já estivesse acabando”, comenta. “Estou tentando viver um dia de cada vez.”

A fantasia, mantida sob sigilo, já foi aprovada pela modelo, que não esconde o entusiasmo ao falar do figurino confeccionado pela estilista Michelly X. Segundo Cintia, a roupa promete chamar atenção. “O croqui está incrível. Só posso dizer que está um escândalo”, afirma.

Se o visual está garantido, o samba no pé tem sido encarado com disciplina e humildade. Cintia admite que o aprendizado é recente e reconhece as dificuldades enfrentadas por quem não cresceu dentro da cultura das escolas de samba.

“Adoraria ter aprendido a sambar desde criança, como muitas passistas”, comenta. “Sempre assisti pela televisão e ficava encantada, mas sambar na avenida, com fantasia pesada, salto alto e nervosismo é completamente diferente.”

Consciente das críticas que costumam surgir nas redes sociais, ela prefere adotar uma postura respeitosa diante da tradição do Carnaval. “Eu cheguei agora e estou no meu lugar, pedindo permissão”, diz. “Quero aprender cada vez mais e continuar me dedicando.”

Para isso, a modelo tem feito aulas com o coreógrafo Carlinhos do Salgueiro (professor de Virginia Fonseca, Bruna Griphao e Gkay) e mantém uma rotina de treinos em casa para evoluir na dança. Ao avaliar a própria evolução, a musa do Salgueiro demonstra sinceridade.

“Para quem não nasceu no samba, acho que hoje daria uma nota sete”, afirma. “Mas a vontade e o amor que tenho por isso são nota mil. Quero me divertir e entregar alegria.”

Acostumada às passarelas desde os 14 anos, Cintia garante que a Sapucaí é mais desafiadora que um desfile de moda. “Na passarela você vai e volta, com expressão mais neutra”, compara. “No Carnaval, você precisa mostrar personalidade, alegria, energia.”

O contato com o universo das escolas de samba também despertou na modelo o desejo de permanecer na folia nos próximos anos. “É cansativo, exige dedicação e investimento, mas eu já estou sentindo saudade antes mesmo de acabar”, diz. “Quero muito voltar no próximo ano, no próximo e no próximo.”

Para viver a experiência carnavalesca de forma intensa, Cintia chegou a pausar compromissos profissionais fora do Brasil. Após o desfile, ela pretende retomar a rotina internacional e dividir o tempo entre a moda e projetos pessoais.

Entre eles está a marca de velas corporais que criou durante a gravidez da filha Aurora, de três anos, fruto do relacionamento com o surfista Pedro Scooby, 37. O negócio começou de forma artesanal e hoje tem venda online e presença em lojas físicas.

Entre maternidade, empreendedorismo e a estreia na maior passarela do samba, Cintia Dicker vive um momento de reinvenção. Mais do que o resultado na avenida, ela diz que o importante é aproveitar cada etapa dessa fase. “Estou dando o meu máximo. Quero sair com a sensação de missão cumprida e, principalmente, feliz por ter vivido tudo isso.”