SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O esquiador norueguês-brasileiro Lucas Pinheiro Braathen caiu nesta segunda-feira (16) durante a primeira descida da prova de slalom do esqui alpino nos Jogos de Milão-Cortina, e foi eliminado da disputa.

Com a queda precoce, ele não teve a descida validada e nem sequer volta para a segunda volta, que define os medalhistas, a partir das 9h30 (horário de Brasília), na região de Bormio, no norte da Itália.

Campeão olímpico no sábado (14) na prova do slalom gigante, Lucas era considerado um dos favoritos para subir ao pódio também no slalom.

O norueguês Atle Lie McGrath fez o melhor tempo, de 56s14. O suíço Loic Meillard, bronze no slalom gigante, fez o segundo melhor tempo, de 56s73, e o austríaco Fabio Gstrein, o terceiro melhor (57s08).

Outros brasileiros na disputa, Giovanni Ongaro terminou a primeira descida na 32ª posição, com 1min04s66 -no slalom gigante, ele foi o 31º colocado-, enquanto Christian Oliveira Soevik também caiu.

Com a prova realizada sob uma forte nevasca, dificultando a visibilidade dos competidores durante as descidas, 50 atletas, de um total de 96 (mais de 50%), caíram na primeira descida do slalom nesta segunda-feira.

“A visibilidade é difícil. Você não tem a ajuda da visibilidade para ler a textura e o terreno da neve”, afirmou Lucas em entrevista ao SporTV logo após encerrar a participação na prova e nos Jogos.

Ele acrescentou que passou a se guiar somente pela intuição durante a descida, mas reconheceu que errou ao abdicar completamente da parte técnica e da estratégia. “Esse esporte é muito complicado, é muito complexo. É o balanço entre estratégia, técnica e intensidade. E eu larguei as outras duas em casa”, disse Lucas.

Nascido em Olso, o esquiador filho de pai norueguês e mãe brasileira começou a carreira competindo pela Noruega, quando chegou a se sagrar campeão da Copa do Mundo de esqui alpino, na categoria slalom -as principais diferenças em relação ao slalom gigante são a distância entre os obstáculos que os atletas precisam superar ao longo do percurso e a velocidade que alcançam durante a descida.

Apenas sete meses após a conquista, surpreendeu o mundo ao anunciar a aposentadoria precoce do esporte, devido a desentendimentos com a federação norueguesa sobre a condução de sua carreira.

Pouco depois, anunciou que passaria a competir com as cores do Brasil. Em dezembro de 2024, ele foi o responsável por conquistar a primeira medalha do país em uma etapa da Copa do Mundo de esqui alpino, ficando com a prata em Beaver Creek, nos Estados Unidos.

Desde então, conquistou mais nove pódios em etapas da Copa do Mundo, incluindo o ouro no slalom em prova realizada na Finlândia, em novembro do ano passado.

No sábado, fez história ao conquistar a primeira medalha do Brasil na história dos Jogos Olímpicos de Inverno.

O melhor resultado do país em uma edição dos Jogos de Inverno até então havia sido a nona colocação de Isabel Clark no snowboard cross, em Turim-2006.

O campeão olímpico afirmou que ainda não conseguiu assimilar o tamanho do seu feito para o esporte brasileiro, mas disse que quer aproveitá-lo para inspirar uma nova geração de atletas. “Trazer inspiração. É a única coisa que penso todos os dias quando acordo.”

Lucas acrescentou que agora só quer voltar para casa para abraçar e celebrar a conquista junto com os familiares e a namorada. “Quero comer um pão de queijo, um brigadeiro. E só aproveitar essa sensação e esse orgulho brasileiro. Estou muito animado por isso.”