FOLHAPRESS – O forte calor no Rio está fazendo foliões buscarem alternativas para driblar a temperatura elevada. Dezenas de pessoas se aglomeraram embaixo de árvores durante o baile do Cordão do Boitatá, no centro do Rio.

“Estamos aqui para diminuir a exposição. Do calor não adianta muita coisa”, diz Muniky Moura, 40, analista de compliance, que está na festa com os amigos. Ela afirma que só vai a blocos onde pode se abrigar na sombra. “Na verdade, eu só vou para bloco onde tem árvore e bloco parado, sem muita gente.”

A ambulante e foliona Francislaine da Silva, 25, também busca uma sombra para vender seus produtos e aproveitar a festa. “Estou buscando a sombratinha um rapaz molhando a gente.” Mas conta que ainda há desafios nos blocos da cidade, como a segurança. “Tinha uns meninos fazendo arrastão. Vimos policiamento, mas, mesmo assim, tinha arrastão.”

Às 14h20, os termômetros marcavam 30°C no centro do Rio. Em muitos blocos da cidade, a Cedae (companhia de água e esgoto da cidade) tem distribuído copos de água, como no baile do Cordão do Boitatá, entre outros, além de esguichar água nos participantes da folia.

TONELADAS DE LIXO

A maratona de blocos pelo Rio deixou para trás 148 toneladas de lixo no último sábado (14), segundo balanço divulgado pela Comlurb, empresa de limpeza urbana da cidade. Desde o pré-Carnaval, que começou há três fins de semana, blocos e bailes populares já acumulam mais de 400 toneladas de resíduos recolhidos pela companhia.

No Aterro do Flamengo, na zona sul, um dos principais pontos de concentração da folia, latas de cerveja e refrigerante, garrafas plásticas e copos descartáveis se acumulavam sobre mesas e bancos de concreto ainda durante os desfiles. O que não ficava empilhado nesses apoios acabava espalhado pelo chão.

Ao longo dos trajetos, havia poucas lixeiras visíveis. Sem pontos de descarte suficientes, muitas latas e garrafas eram deixadas pelo caminho.

Entre os blocos do sábado, o Escangalha foi um dos que mais geraram resíduos: 11,5 toneladas, segundo a Comlurb. Após a dispersão do público, equipes de limpeza entram nas vias com varrição mecanizada, coleta e lavagem das ruas para remover o que fica da festa.

A operação da companhia segue até o fim do calendário oficial de blocos, depois da saída do Monobloco, no dia 22 de fevereiro.

CHARANGA TALISMÃ

O bloco, conhecido por seu caráter sustentável e musicalidade potente, concentra-se no subúrbio carioca e tem parceria com o Greenpeace.

Há dez anos, ele nasceu como um naipe de banjos, mas foi crescendo. Chegou a sanfona e, mais recentemente, um teclado e uma escaleta. Virou uma harmonia o bloco Charanga Talismã, conhecido por seu caráter sustentável e musicalidade potente. Da origem na Glória, zona Sul, até a mudança para o subúrbio carioca, na Vila Kosmos (Avenida Meriti), em 2018, o coletivo carnavalesco levanta a bandeira da conscientização ambiental em parceria com o Greenpeace, com o mote “O brilho da Talismã agora é verde”, focando na preservação da natureza e saberes ancestrais.

“A primeira saída da Charanga, na verdade, nem era Charanga ainda, foi um cortejo no Alteiro. Mas a gente tinha vontade de sair do eixo Centro-Zona Sul e se integrar ao território periférico”, conta o diretor de harmonia do bloco, Yuri Rodrigues, na saída do mesmo na manhã deste domingo.

O enredo é super atual, “União Latino-Americana”, entenda por isso repertório reunindo Bad Bunny e músicas de protesto dos anos 1960 e 70.

Maria das Graças Soares dos Santos de Freire, moradora do bairro, vê semelhanças com os carnavais antigos. “Não tem briga, funciona como uma certa integração de quem vem de outros lugares com os moradores.”