SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Às vésperas de estrelar uma nova montagem de “Hamlet”, que será encenada em meio aos destroços de uma antiga sala de cinema, Gabriel Leone diz que a cultura é um importante instrumento de cura. A ideia que dialoga diretamente com o futuro do Cine Copan, espaço do edifício histórico, em São Paulo, que foi desativado e, depois de emprestar as suas ruínas para a peça de Rafael Gomes, será reativado em 2027.
“É um privilégio apresentar esse projeto num espaço que, uma vez encerrada a nossa temporada, voltará a ter vida enquanto cinema”, diz o ator, que também está no elenco de “O Agente Secreto”, filme de Kleber Mendonça Filho que concorre ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator, pelo papel de Wagner Moura, e melhor direção de elenco, pelo trabalho de Gabriel Domingues.
“É o tipo de notícia necessária após os anos recentes, em que sofremos com ataques a artistas e com a manipulação de informações, com o intuito de diminuir o valor da nossa cultura para a sociedade”, afirma Leone, cujo primeiro papel nos cinemas foi em “Garoto”, do elogiado cineasta brasileiro Julio Bressane.
Ao citar o filme de Mendonça Filho, Leone enquadra o reconhecimento do longa num movimento global e cita “Ainda Estou Aqui”, que em 2025 trouxe ao Brasil o seu primeiro Oscar, de melhor filme internacional. Os dois filmes abordam, a sua maneira, a violência da ditadura militar no país.
“Não acho que precisamos dessa validação internacional. Mas, sinto que esse reconhecimento externo esquenta o nosso mercado e proporciona um movimento de reaproximação com o público brasileiro”, diz.
“A cultura tem o poder de transformar, de unir uma população, de conscientizar e de mobilizar cidadãos de forma geral. Em um ano de eleição, nada importa mais do que a conexão de um povo com a sua cultura.”



