RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Dos 12 sambas-enredo que cruzarão a Sapucaí, no Rio de Janeiro, em 2026, 9 são biográficos. Os desfiles contarão a trajetória de personalidades ligadas à arte, à política e às religiões afro-brasileiras.
Quem abre os cortejos neste domingo (15) é a Acadêmicos de Niterói, campeã da Série Ouro em 2025. A escola retorna ao tema das raízes nordestinas para homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacando sua história de vida.
“Nosso desfile começa contando sua vida em Garanhuns, com as lendas que assombravam a família. Depois, Dona Lindu [mãe de Lula] parte para São Paulo em um pau-de-arara por 13 noites e 13 dias”, adianta o carnavalesco Tiago Martins.
Em seguida, Ney Matogrosso, será tema da Imperatriz Leopoldinense. “O Ney é um artista que fez das mudanças sua marca. É um artista de subversões estéticas, de criação de personagens, uma das maiores vozes do Brasil”, afirmou o carnavalesco Leandro Vieira, que conduz o enredo “Camaleônico”.
A Portela irá falar sobre a realeza negra no Rio Grande do Sul. “Assim que ouvi sobre o príncipe Custódio, que chegou no Brasil não como escravizado e passou a atuar em Porto Alegre e Bagé, eu disse que esse era o enredo. É bonito demais pensar em uma realeza negra”, afirmou o carnavalesco André Rodrigues.
Já a Mangueira fecha a primeira noite e exalta Mestre Sacaca (1926-1999), símbolo dos saberes ancestrais e da cultura afro-indígena da Amazônia.
Nas noites seguintes, Rita Lee (1947-2023), será tema da Mocidade Independente de Padre Miguel, e a carnavalesca Rosa Magalhães (1974-2024) será homenageada pelo Salgueiro. Já a Unidos da Tijuca leva para a avenida uma homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1977).
A Viradouro fará um tributo ao mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto, o Ciça, que completa 55 anos de desfiles. E a Vila Isabel, na terceira noite, destacará o artista Heitor dos Prazeres (1898-1966), que ajudou a fundar Portela, Mangueira e Estácio de Sá.
“A inteção da escola ao propor essa homenagem é justamente direcionar o seu olhar para a história do samba, exaltando a vida e a obra de uma personalidade fundamental para a história sambista do Rio de Janeiro”, afirmou o carnavalesco Leonardo Bora.
A elite do carnaval do Rio de Janeiro desfila nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro. As seis escolas mais bem colocadas retornam à Sapucaí no dia 21 para o Desfile das Campeãs.
Veja abaixo quais escolas desfilam em cada data e seus respectivos enredos em 2026.
Domingo (15)
– Acadêmicos de Niterói – “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”
O samba percorre a trajetória de Lula, da origem humilde à presidência.
– Imperatriz Leopoldinense – “Camaleônico”
A escola celebra Ney Matogrosso revisitando sucessos que marcaram a música brasileira.
– Portela – “O Mistério do Príncipe do Bará: a Oração do Negrinho e a Ressurreição de Sua Coroa Sob o Céu Aberto do Rio Grande” O enredo apresenta a história de Custódio Joaquim de Almeida, líder africano do século 19 que se tornou símbolo de religiosidade.
– Mangueira – “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”
A verde-e-rosa leva à avenida a figura de Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, curandeiro e defensor dos povos da floresta.
Segunda-feira (16)
– Mocidade – “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”
A escola presta tributo à cantora, falecida em 2023.
– Beija-Flor – “Bembé”
A campeã de 2025 celebra o candomblé e a luta do povo negro por liberdade.
– Viradouro – “Pra cima, Ciça”
A escola homenageia o mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto, o Ciça, que completa 70 anos e 55 de desfiles.
– Unidos da Tijuca – “Carolina Maria de Jesus”
O enredo retrata a trajetória da escritora mineira que transformou sua vivência na favela do Canindé em literatura.
Terça-feira (17)
– Paraíso do Tuiuti – “Lonã Ifá Lukumi”
A escola aborda a história dos orixás afro-cubanos e a conexão espiritual entre Cuba e Brasil, marcada pela ancestralidade africana.
– Vila Isabel – “Macumbembê, Samborembá: Sonhei Que Um Sambista Sonhou a África”
O enredo homenageia Heitor dos Prazeres, pioneiro do samba.
– Grande Rio – “A Nação do Mangue”
A escola mergulha no movimento Manguebeat, surgido no Recife nos anos 1990. Salgueiro – “A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e nem do Pirata da Perna-de-Pau”
Encerrando os desfiles, o Salgueiro presta homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, destacando seus títulos no sambódromo.



