SÃO PAULO, SP, RECIFE, PE RIO DE JANEIRO, RJ E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) – Do frevo pernambucano ao trio elétrico baiano, passando pela muvuca paulista e pelo mar carioca, foliões improvisam soluções neste sábado (14) para driblar o calor que insistiu em desfilar junto com os blocos.

No Galo da Madrugada, em Recife, que arrasta cerca de 2 milhões de pessoas e é reconhecido pelo Guinness como o maior bloco do mundo, o sol também saiu para reinar. Neste sábado (14), os termômetros chegaram aos 30°C.

Entre sombrinhas de frevo e chapéus improvisados, o empresário Ricardo Melo, 53, chamou atenção com um guarda-sol de praia acoplado ao corpo.

Desde o ano passado, ele testa a estrutura. Neste Carnaval, incrementou: amarrou ao peito um suporte usado por propagandistas para sustentar a sombra no meio da multidão. “No ano que vem, arrumo um guarda-sol maior ainda. O Galo é maravilhoso, mas na sombra é melhor ainda”, brincou.

A cena se repetiu, com sotaques diferentes, pelo país.

No parque Ibirapuera, em São Paulo, a temperatura chegou aos 29°C. Com isso, leques abriram e fecharam no ritmo do show da cantora Lauana Prado e da concentração do bloco Agrada Gregos.

“O leque com certeza ajuda”, afirmou Ingrid Araújo de Souza, 19. “E também a bebida geladinha”, completou Yasmin Carvalho dos Santos, 18. Entre uma música e outra, o vento improvisado virou coreografia paralela no clima abafado.

Quem trabalha também entrou no esquema anticalor. Há seis anos no Carnaval, a vendedora Carla Porfírio, 44, levou reforço especial: uma pistola d’água que, segundo ela, “faz um chuveiro”. A filha Thayla, 4, acompanhava os pais no batente, devidamente equipada.

Se o bloco esquentava, a água entrava em cena. Nem sempre gelada —alguns foliões reclamaram que as garrafas distribuídas estavam em temperatura ambiente—, mas indispensável. No Carnaval, hidratar é lei.

No Rio de Janeiro, o calor subiu ainda mais o tom. Os termômetros marcaram mais de 30°C, com previsão de máxima de 38°C. No tradicional Bloco do Barbas, em Botafogo, a solução veio sobre rodas: um caminhão-pipa lançou água sobre a multidão, arrancando gritos e aplausos de alívio.

No Amigos da Onça, no Aterro do Flamengo, leques e arminhas infantis de água viraram praticamente uniforme oficial. Vendidos por cerca de R$ 30 por ambulantes, os itens saiam rápido —porque além da brincadeira, refrescam.

O trio de amigos Mariana Muller, 26, Bruno Barioni, 25, e Alex Duarte, 26, fez pit stop estratégico na areia para passar protetor solar e mergulhar antes de voltar ao cortejo. “Está muito difícil, a gente tem que parar de tempo em tempo pra ir na água, passar protetor”, contou Bruno. Mariana disse que as arminhas ajudam mais do que parece. “Além da brincadeira, ajuda muito a refrescar.”

Para quem não queria sair da muvuca, organizadores lançavam jatos de mangueira direto no público. Até um personagem fantasiado de “protetor humano” circulava distribuindo filtro solar. “Num sol desses, qualquer ajuda é bem-vinda. É uma salvação”, afirmou Rodrigo Cardoso, 37.

Em Salvador, no circuito Dodô (Barra-Ondina), pouco depois das 14h30, sob 27°C e sol forte, os leques também ganharam protagonismo. Durante o desfile de Ivete Sangalo, quando a artista puxou “O verão bateu em minha porta”, a massa respondeu levantando os leques para o alto, numa coreografia involuntária contra o calor da capital baiana.

Do guarda-sol gigante em Recife ao caminhão-pipa no Rio, da pistola d’água em São Paulo aos leques erguidos em Salvador, o Carnaval deste sábado mostrou que, se o termômetro sobe, a criatividade sobe junto.