SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Esse Carnaval pode ser o último das tradicionais fantasias de padre e freira na festa em Salvador. Isso porque elas são consideradas “cristofóbicas”, de acordo com um projeto de lei aprovado por vereadores da cidade e que aguarda sanção do prefeito Bruno Reis (União Brasil). Se entrar em vigor, a regra prevê multa de R$ 4.500 para quem descumpri-la.

Texto cria o Programa de Combate à Cristofobia. A iniciativa prevê ações para coibir práticas consideradas ofensivas a cristãos em eventos culturais.

Projeto proíbe fantasias classificadas como “desrespeitosas”. O texto cita, por exemplo, “fantasias de freiras com conotação sexual e apelo sexual” e situações que, segundo a proposta, “hostilizam Jesus Cristo” em eventos e atividades culturais, “principalmente promovidas pela máquina pública, a exemplo do Carnaval”.

Lei prevê multa de até três salários mínimos. A punição pode ser aplicada a empresas, organizadores de festas, blocos de carnaval, camarotes e também a pessoas físicas.

Autor do projeto diz ter visto cenas que considera ofensivas. Segundo ele, há “pessoas de tanguinha, Cristo beijando pessoas vestidas de demônio, Cristo bebendo cerveja” e afirma que “não há necessidade dessa parte hostil”. Ele também disse já ter visto “pessoas colocar cruz no ânus”.

Vereador citou Daniela Mercury ao defender a proposta. Segundo ele, a cantora “anos atrás colocou homens vestidos de freira” em desfile de bloco.

Caso citado ocorreu em 2016. Na ocasião, Daniela Mercury levou foliões vestidos de freiras para o trio elétrico no circuito Osmar (Campo Grande). A cantora desfilava fantasiada de Nossa Senhora da Música. “Hoje estou vestida de Maria? Maria da Música”, disse.

Autor diz que Carnaval não deve usar símbolos religiosos. “Como Carnaval é uma festa da carne, não tem sentido nenhum colocar imagem de qualquer religião para fazer sátira e brincadeira”, afirma o vereador Cezar Leite (PL), em entrevista ao UOL.

Proposta foi aprovada em setembro e ainda não foi sancionada. Segundo o vereador, ele tenta mobilizar colegas parlamentares para promulgar o texto na própria Câmara.

Outros dois projetos dele também aprovados seguem engavetados pelo prefeito. É o caso da proposta que proíbe cartazes e comunicações sobre transexualidade nas escolas e iniciativas ligadas ao “clube empreendedor”. “O prefeito tem o tempo dele”, pondera Leite.