SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Polícia do Canadá disse hoje que a suspeita de matar oito pessoas a tiros não tinha alvos específicos quando atacou uma escola em Tumbler Ridge e descreveu a ação como uma “caçada”.
O ataque na escola não foi direcionado, informou a Real Polícia Montada do Canadá. Seis pessoas morreram na unidade de ensino. Antes do ataque no Tumbler Ridge Secondary School, a suspeita de ser a atiradora, identificada como Jesse Van Rootselaar, de 18 anos, matou a mãe e o meio-irmão a tiros na residência da família.
“Ela estava, por assim dizer, caçando. Estava preparada e enfrentava qualquer pessoa que cruzasse seu caminho.” A declaração foi concedida nesta sexta-feira pelo subcomissário da RPMC (Real Polícia Montada do Canadá) para a província da Colúmbia Britânica, Dwayne McDonald.
A polícia investiga o uso de quatro armas de fogo na ação. A origem da principal arma utilizada pela suspeita ainda é desconhecida e a corporação ainda não sabe como Jesse conseguiu o armamento, disse McDonald à imprensa, segundo a CBC News.
A RPMC também divulgou uma foto da autora dos disparos. Na imagem, ela aparece vestida com um moletom, de cor escura, com capuz, está com o cabelo solto e o rosto sério.
Uma pessoa em Ontário foi acusada injustamente de ser a autora dos disparos, informou a polícia. A pessoa em questão tem um nome semelhante ao da suspeita de ser a atiradora. “Isso não precisava ter acontecido. Sabemos que você não está envolvida”, disse McDonald.
O pai de Jesse, separado da mãe e residente em uma província vizinha, Justin Van Rootselaar, prestou condolências. Ele afirmou, em um comunicado enviado à emissora pública CBC, que o caso foi um “ato de violência insensato e imperdoável”. “Como pai biológico da responsável, carrego uma dor difícil de expressar em palavras”, declarou.
Autópsia no corpo das oito vítimas e da atiradora devem ser concluídas até o final da semana, segundo a polícia. As duas feridas em estado grave -Maya Gebala e Paige- seguem internadas.
Ainda não se sabe a motivação do crime. A apuração prossegue e os agentes já ouviram mais de 80 pessoas entre estudantes, educadores e socorristas. Um veículo ligado à atiradora também é periciado, bem como a escola e uma casa próxima. A corporação disponibilizou uma plataforma para testemunhas compartilharem vídeos e fotos que podem contribuir com a apuração.
Ataque aconteceu por volta das 14h20 (horário local; 18h20 no horário de Brasília) de terça-feira (10) na Tumbler Ridge Secondary School. De acordo com a polícia local, seis pessoas foram encontradas mortas dentro da escola secundária. Outras duas morreram em uma residência que teria relação com o crime e 27 ficaram feridos. Após o ataque à escola, Jesse se suicidou.
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Vítimas mortas dentro da escola foram identificadas como:
Abel Mwansa, de 12 anos;
Ezekiel Schofield, de 13 anos;
Kylie Smith, de 12 anos;
Zoey Benoit, de 12 anos;
Ticaria Lampert, de 12 anos;
Shannda Aviugana-Durand, de 39 anos.
Familiares mortos foram identificados como:
Emmett Jacobs, de 11 anos, meio-irmão da suspeita;
Jennifer Jacobs, de 39 anos, mãe da suspeita.
Duas pessoas, uma menina de 12 anos e uma jovem de 19 anos, foram levadas de helicóptero para o hospital com ferimentos graves. Outros 25 feridos foram avaliados em uma unidade de saúde local, informou a polícia, segundo a CBC News. Cerca de 100 pessoas, entre alunos e funcionários, foram evacuadas do local em segurança. A Divisão de Crimes Graves da Polícia da Colúmbia Britânica assumiu a condução da investigação.
Cidade onde ocorreu o episódio fica a mais de mil quilômetros de Vancouver. Ela fica no nordeste da Colúmbia Britânica e possui pouco mais de 2.000 habitantes, que vivem em comunidade. Segundo a Universidade do Norte da Colúmbia Britânica, o local foi construído em 1981 e tornou-se mundialmente conhecida como um paraíso de fósseis.
Aulas em todas as escolas da cidade foram canceladas até o fim da semana. A Northern Lights College também suspendeu suas atividades temporariamente em seu campus de Tumbler Ridge.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que os canadenses superariam o trauma do ataque a tiros. “Vamos aprender com isso. Mas agora é hora de nos unirmos, como os canadenses sempre fazem nessas situações, nessas situações terríveis, para apoiar uns aos outros, para chorar juntos e para crescer juntos”, disse Carney.



