SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O Ministério Público de São Paulo reforçou à Promotoria do Patrimônio Público e Social um pedido de intervenção judicial no Corinthians. A medida é tratada como consequência direta das irregularidades administrativas.
Para o MP, há indícios de irregularidades administrativas, desvio de finalidade e possível gestão temerária na condução interna do clube. O órgão sustenta que os problemas identificados não são pontuais e exigem atuação na esfera cível para corrigir omissões e preservar a governança institucional.
Segundo o ofício, que o UOL teve acesso, o cenário nterno do Timão fragiliza os mecanismos internos de controle e fiscalização, contexto que é usado como base técnica para reforçar o pedido de intervenção.
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IRREGULARIDADES ADMINISTRATIVAS SUSTENTAM ATUAÇÃO DO MP
O documento aponta falhas na condução de procedimentos internos obrigatórios previstos no estatuto do clube. A paralisação dessas apurações é classificada pelo Ministério Público como uma omissão deliberada no cumprimento de deveres institucionais.
De acordo com o MP, a interrupção dos processos compromete o funcionamento dos mecanismos de controle interno. Essa conduta é tratada como um dos principais fundamentos para sustentar a necessidade de intervenção judicial.
Um dos pontos destacados foi a suspensão das apurações internas sobre irregularidades atribuídas a ex-presidentes. O procedimentos se dão por conta de supostos usos indevidos do cartão corporativo do clube através dos dirigentes investigados.
Após a repercussão institucional do caso, porém, o Conselho Deliberativo do Corinthians decidiu retomar as investigações. No despacho, também obtido pela reportagem, o órgão afirma que o acesso a informações do inquérito civil permitiu superar as dúvidas jurídicas que haviam motivado a paralisação das apurações.
Apesar disso, o Ministério Público entende que a retomada posterior não elimina a omissão administrativa já caracterizada. Para o órgão, o histórico do caso permanece relevante e não é afastado por decisões adotadas depois.
Segundo o MP, o pedido de intervenção se sustenta no conjunto de atos praticados e na condução institucional ao longo do tempo. Os pontos são considerados inadequados para garantir o cumprimento das normas internas.
RISCO JURÍDICO, REPUTACIONAL E ECONÔMICO
O documento assinado pelo MP avalia que a omissão administrativa pode configurar gestão temerária. A ausência de responsabilização interna, segundo o MP, expõe o Corinthians a riscos jurídicos, reputacionais e econômicos.
Para o órgão, a manutenção desse cenário compromete a governança institucional do clube. Esse risco ampliado é tratado como um dos fundamentos centrais que justificariam a intervenção judicial.
O pano de fundo da análise envolve o ex-presidente Andrés Sánchez. O Ministério Público ressalta que a existência de ações penais não impede ou substitui a necessidade de apuração administrativa interna.
Segundo o documento, a suspensão dos processos internos acabou por blindar dirigentes. Esse efeito é classificado como desvio de finalidade, o que agrava o quadro que sustenta o pedido de intervenção.
PROMOTORIA ANALISA ABERTURA DE INQUÉRITO CIVIL
O ofício reforça à Promotoria do Patrimônio Público e Social a necessidade de instauração de inquérito civil, com a possível adoção de medidas judiciais, de acordo com o entendimento do Ministério Público. Entre as consequências, está a intervenção na administração do Corinthians. A partir dessa análise, caberá à Promotoria definir os próximos passos no âmbito cível.



