SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão dos três sócios da academia C4 Gym, na zona leste da capital paulista, onde uma aluna morreu depois de nadar na piscina. Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração prestaram depoimento na de quarta-feira (11).

Magistrada entendeu que não há motivos suficientes para a prisão dos empresários. Em decisão publicada nesta sexta-feira (13), a juíza Paula Marie Konno argumentou que, embora os fatos tenham ganhado ampla repercussão social e midiática, as razões listas pela polícia não justificam a prisão dos sócios.

Juíza citou que os investigados compareceram para prestar depoimento e foram ouvidos. “Todos devidamente acompanhados por seus advogados. Na oportunidade, prestaram esclarecimentos sobre os fatos que foram aventados pelo delegado de polícia. Verifico, outrossim, que a academia encontra-se lacrada e já foi realizada a perícia na água da piscina; ainda, foram apreendidos alguns produtos químicos do local, sem prejuízo da perícia no local que também já foi requisitada”, diz a decisão.

Celso, Cesar e Cezar foram indiciados por homicídio com dolo eventual, conforme apurou o UOL. O dolo eventual ocorre quando o investigado não deseja diretamente o resultado morte, mas assume o risco de produzi-lo ao adotar determinada conduta.

Defesa dos empresários enviou uma petição à Justiça “com esclarecimentos para que o pedido de prisão temporária não prospere”. Em nota, uma representante da academia informou que o documento foi encaminhado pelos advogados do estabelecimento ao juiz de Direito da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de São Paulo.

Sócios foram pegos de surpresa com o pedido de prisão temporária, segundo seus advogados. Na petição enviada à Justiça, Rafael Serra Oliveira e Julia de Moraes argumentam que a detenção requerida pela Polícia Civil foi baseada na informação “inverídica” de que os empresários não teriam constituído advogado e que não teriam comparecido para prestar depoimento.

Donos da academia compareceram ontem para depor no 42° DP, no Parque São Lucas, zona leste da capital. Os sócios foram intimados pelo delegado do caso, Alexandre Bento, e prestaram seus depoimentos por volta das 17h de ontem, segundo informado pela assessoria da academia.

A Polícia Civil investiga se a morte da mulher foi causada pela exposição a gases dentro do ambiente da piscina. Câmeras de segurança gravaram o momento em que alunos saem da piscina porque passaram mal.

Juliana morreu na noite de sábado (7). Ela e o marido participavam de uma aula de natação e passaram mal logo depois de entrarem em contato com a água. O casal foi até o Hospital Santa Helena, em Santo André, mas a professora sofreu uma parada cardíaca e não resistiu.

O marido da professora, Vinicius de Oliveira, continua internado. Ele está em estado grave na UTI.

Informações apontam que seis pessoas passaram mal após a aula, incluindo Juliana e o marido. Uma delas é um adolescente de 14 anos que foi internado em estado grave e está respirando com ajuda com aparelhos. Outras duas pessoas receberam atendimento e foram liberadas. O último caso é de uma mulher de 29 anos internada após participar da mesma aula de natação que Juliana.

A academia não tinha alvará para funcionar, segundo a Polícia Civil. A instalação elétrica da piscina estava ligada à cozinha da academia e os produtos para limpeza da piscina também estavam em local inadequado, segundo os investigadores.