PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – O jornal Libération publicou nesta sexta (13) trechos de um depoimento à polícia dado pelo mordomo de Jeffrey Epstein em Paris, o brasileiro naturalizado francês Valdson Vieira Cotrin. Ele relatou visitas constantes de “mulheres jovens e magras” ao apartamento do financista, mas negou ter conhecimento de visitas de menores de idade.
“Me dá arrepio imaginar as coisas que falam dele. Em nenhum momento vi meninas. Eu não olhava os documentos delas, mas para mim, fisicamente, não havia menores”, contou Cotrin aos investigadores, segundo o veículo francês.
O depoimento foi prestado em setembro de 2019 à brigada de polícia francesa encarregada da repressão de violência a pessoas, em um inquérito aberto logo após a morte do criminoso sexual americano.
Em sua conta no Facebook, Cotrin se apresenta como goiano de Luziânia. Em agosto do ano passado, em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, ele disse que Epstein “amava a vida demais” para se suicidar. Cotrin também postou na rede uma foto com o americano, em 2019, dentro do jatinho. A imagem foi publicada pelo diário londrino.
Cotrin foi uma das últimas pessoas a ver Epstein na França. Foi o mordomo que, em julho de 2019, o levou ao aeroporto de Le Bourget quando ele embarcou em um jatinho particular para os EUA, onde seria preso ao chegar. Um mês depois, Epstein foi encontrado morto em sua cela, em Nova York.
O mordomo foi contratado em 2001 para cuidar do apartamento de Epstein na avenida Foch, em um dos bairros mais nobres de Paris. Tinha pouco contato com o patrão. Cumpria regras, segundo ele, estabelecidas por Ghislaine Maxwell, cúmplice do criminoso sexual americano e atualmente presa nos EUA: nunca estar no mesmo cômodo de Epstein, que raramente lhe dirigia a palavra.
Cotrin descreve visitas constantes de “jovens muito elegantes”, possivelmente modelos. Certa vez, em uma rara indiscrição, Epstein comentou, a respeito de uma delas, de formas mais generosas que as outras: “Valdson, I don’t like” (“Eu não gosto”). O mordomo interpretou a frase como uma preferência por mulheres mais magras.
Durante uma viagem de Epstein e Maxwell ao balneário de Saint-Tropez, no sul da França, em 2003, Cotrin testemunhou “um balé incessante” de mulheres “que iam e vinham a cada dois ou três dias”.
As paredes do apartamento eram repletas de retratos de mulheres nuas. No depoimento, Cotrin conta que encarava a decoração como uma preferência estética do patrão, que se repetia em outras propriedades de Epstein.



