SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um casal formado por um médico de 28 anos e um advogado de 27 foi esfaqueado na rua da Consolação, nas proximidades da estação Higienópolis-Mackenzie, na região central de São Paulo, na noite de sábado (7). As vítimas suspeitam que o ataque tenha motivação homofóbica.
De acordo com o boletim de ocorrência, os namorados foram atacados por dois ou três rapazes, na calçada, na altura do número 986.
O médico foi atingido no pescoço e no peito. Ele teve o pulmão perfurado. O advogado teve ferimentos na cabeça e no pescoço. O médico já estava perdendo a consciência quando a Polícia Militar chegou e o socorreu junto ao namorado. Eles foram levados para o Hospital das Clínicas, onde o médico faz residência em endocrinologia.
O advogado precisou receber pontos na cabeça e foi liberado. O médico ficou na UTI até quarta-feira (10), quando foi transferido para um quarto e segue sem previsão de alta.
Os dois estão com medo e pediram para não serem identificados.
O médico, em áudio disponibilizado pela advogada, afirmou que estava voltando com o namorado de um café na Vila Madalena, onde encontraram amigos. Ele afirmou que tinha acabado de sair da estação Higienópolis-Mackenzie, perto de sua casa, quando o namorado gritou. Ele se virou e viu que o advogado tinha sido puxado para trás, mas não conseguiu ver a pessoa. No mesmo momento, um homem que estava ao lado do advogado também o atacou.
O médico disse que não teve tempo de reação para entender o que estava acontecendo e que não houve nenhum anúncio de assalto. Em razão disso, ele e o namorado acreditam que o ataque possa ter motivação homofóbica.
“Diante da dinâmica dos fatos e da ausência de motivação aparente, não se descarta a hipótese de crime motivado por discriminação, inclusive por orientação sexual, circunstância que será devidamente apurada no curso das investigações”, afirmou, em nota, Ana Clara Valone advogada que os representa.
De acordo com ela, as medidas judiciais cabíveis já estão sendo adotadas, incluindo requerimentos formais para aprofundamento das investigações, como coleta e preservação de imagens e identificação de testemunhas.
O caso é investigado pelo 4º Distrito Policial (Consolação), que instaurou inquérito policial. A equipe da unidade permanece empenhada em diligências, na coleta de depoimentos das vítimas e testemunhas, analisa imagens e aguarda laudos periciais para identificar e responsabilizar os envolvidos no crime, diz a SSP (Secretaria da Segurança Pública).



