SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um vídeo que emergiu em redes sociais mostra o momento em que dois navios de guerra colidiram no Caribe, durante uma operação de reabastecimento na quarta-feira (11). Ao menos dois marinheiros ficaram feridos, mas as belonaves seguiram seu curso.

As imagens mostram o destróier USS Truxtun se aproximando do navio de apoio USNS Supply ao sul de Porto Rico. De repente, ele parece perder o controle e abalroa a outra embarcação.

Segundo a Marinha dos EUA, não houve danos significativos em nenhum dos dois navios, que integram a missão Lança do Sul, a operação que Donald Trump montou na região no fim de 2025 para supostamente reforçar o combate ao narcotráfico em sua fronteira meridional.

Na prática, o ponto alto da ação foi político: a captura, no dia 3 de janeiro, do ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua mulher em um ataque coordenado a Caracas e a instalações militares do regime chavista -que foi poupado, sendo obrigado por Washington a trocar a parceria com chineses e russos por uma renovada associação com os americanos.

O USS Truxtun é um poderoso destróier da classe Arleigh Burke, o esteio da força de ataque naval dos EUA. Com 74 navios em três gerações diferentes, ele pode levar até 96 mísseis para ações mundo afora e, em vários modelos, é equipado com o sistema de defesa antiaéreo Aegis -que protege contra ameaças balísticas, aeronaves e mísseis de cruzeiro.

Já o Supply faz parte da classe de navios de apoio logístico e operações especiais de mesmo nome, 1 dos 4 construídos, 2 dos quais em operação. É uma espécie de faz-tudo dos mares: leva combustível, armas, suprimentos diversos para navios de combate.

Segundo a Marinha dos EUA, não há ainda certeza acerca do que ocorreu. Pode ter sido um problema técnico no sistema de navegação do destróier ou erro humano.

A presença militar aumentada a nível nunca visto na América Latina está em linha com a nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada em dezembro, na qual Trump assume querer retomar o princípio de controle de sua periferia estratégica -colocando em prática a versão belicista da Doutrina Monroe, de 1823.