SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Carnaval, que mobiliza todos os anos milhões de brasileiros, é um período em que golpes e crimes financeiros se intensificam. Bancos, fintechs e empresas de tecnologia afirmam contar com diferentes mecanismos de proteção e reforçam recomendações aos clientes para reduzir o risco de fraudes.
Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), um dos golpes mais recorrentes neste período é o chamado “golpe da maquininha”. Criminosos que se passam por vendedores observam a digitação da senha e, ao devolver o cartão, fazem a troca sem que a vítima perceba. Com o cartão e a senha em mãos, realizam compras indevidas.
Entre as orientações da entidade, está verificar se o visor da maquininha mostra apenas asteriscos no momento da digitação da senha e evitar concluir a compra caso a tela esteja danificada. A Febraban orienta que o próprio cliente insira o cartão no equipamento e confira se o que foi devolvido é realmente o seu.
Outra recomendação é ajustar previamente os limites do Pix e do cartão de crédito para valores compatíveis com os gastos previstos durante a comemoração.
A federação também sugere o uso do aplicativo Celular Seguro, do Ministério da Justiça, que permite bloquear rapidamente o aparelho em casos de perda, furto ou roubo.
Segundo a Zetta, entidade que reúne fintechs, ao suspeitar de um golpe, o mais importante é agir rapidamente para minimizar os danos.
Na cartilha de segurança da entidade com orientações para identificar possíveis abordagens criminosas, uma das dicas é redobrar a atenção na internet, acompanhar com frequência a movimentação da conta para identificar atividades suspeitas, desconfiar de mensagens com erros gramaticais ou ortográficos e ter cuidado com comunicações que apelam para o pânico, levando o consumidor a decisões impulsivas.
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VEJA AS RECOMENDAÇÕES DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
MERCADO PAGO
O Mercado Pago lançou o Modo Blindado, que permite esconder saldos da conta, investimentos e o “cofrinho”. Caso o usuário tenha contas de outros bancos conectadas via open finance, esses valores também ficam invisíveis e bloqueados. É possível definir limites específicos e reduzidos para transferências bancárias enquanto a pessoa estiver fora de casa.
O sistema reconhece quando o usuário sai de uma conexão de internet considerada segura, como a da própria residência, e aciona as proteções de forma automática. A configuração dessas redes é feita por meio de reconhecimento facial. Há uma trava de desativação que impede que o Modo Blindado seja desligado apenas com autenticação facial fora da zona segura, evitando que limites sejam alterados sob coação.
INTER
Com o Modo Vigilante, o cliente pode cadastrar redes wi-fi e endereços seguros, como casa ou trabalho. Fora desses ambientes, o aplicativo passa a ativar automaticamente camadas extras de proteção, como limites específicos para transações via Pix, autenticação adicional para aumento do limite do cartão de crédito e bloqueio automático de áreas consideradas sensíveis do app.
Caso alguma operação ultrapasse os limites definidos pelo usuário, a transação precisa ser validada pelo iSafe, sistema de verificação do Inter que pode exigir biometria, senha ou prova de vida.
O Inter afirma que recomenda o uso de senhas fortes e exclusivas, a proteção do aparelho com biometria, reconhecimento facial ou senha, além de evitar operações financeiras em redes wi-fi públicas ou desconhecidas. O banco também orienta os usuários a verificarem sempre o remetente de emails, SMS ou mensagens suspeitas antes de clicar em links.
ITAÚ
O Itaú Unibanco orienta os clientes a reforçarem a proteção do celular antes de sair de casa, com autenticação em dois fatores e reconhecimento facial, além de evitar armazenar informações sensíveis no aparelho. No Modo Protegido, há uma etapa extra de autenticação em transações feitas fora de locais considerados seguros.
Nos pagamentos, a recomendação é priorizar carteiras digitais, conferir sempre o valor antes da confirmação e evitar maquininhas com visor danificado. Em caso de roubo ou furto, o cliente deve acionar imediatamente o banco para bloqueios e registrar boletim de ocorrência; a instituição afirma manter atendimento 24 horas para esses casos.
NUBANK
No Modo Rua é possível limitar transações realizadas fora de ambientes considerados seguros. Ao ativar o recurso, o cliente define redes confiáveis e estabelece um valor máximo para operações como Pix, TED e pagamento de boletos quando estiver fora desses locais, reduzindo o impacto financeiro em caso de perda ou roubo do celular.
A fintech também oferece o Pix Protegido, seguro que cobre golpes e transações fraudulentas após furto ou roubo do cartão ou aparelho, inclusive em situações de coação. O serviço pode ser contratado pelo aplicativo e tem cobertura de até R$ 5.000 por ano.
SANTANDER
Recomenda conferir o valor exibido na maquininha antes do pagamento, priorizar o uso de carteiras digitais e, ao usar o cartão físico, não entregá-lo a terceiros e conferir se o cartão devolvido é o correto. O banco também recomenda reduzir previamente o limite do Pix como forma de minimizar prejuízos em caso de perda ou roubo do celular.
Entre as ferramentas disponíveis estão o Bloqueio Imediato, que permite travar rapidamente o cartão e o acesso ao aplicativo mesmo a partir do celular de outra pessoa, e a Gestão de Limites, que possibilita definir valores personalizados para Pix e transferências, inclusive por horário, ampliando o controle sobre as movimentações durante o Carnaval.
BANCO DO BRASIL
Tem monitoramento antifraude 24 horas por dia, com múltiplas camadas de proteção para Pix, cartões e canais digitais, além de gestão dinâmica de limites e possibilidade de contestação de transações pelo aplicativo.
Entre as recomendações estão conferir o nome do recebedor antes de pagamentos via Pix, evitar redes wi-fi abertas, desativar o NFC quando não estiver em uso e redobrar a atenção com troca de cartões e maquininhas com visor danificado. A instituição também orienta que qualquer movimentação suspeita seja comunicada imediatamente ao banco e registrada em boletim de ocorrência.
BRADESCO
Conta com sistemas contínuos de monitoramento e prevenção a fraudes, que utilizam análise comportamental, regras antifraude e tecnologias de inteligência para identificar transações atípicas em tempo real.
A instituição afirma que qualquer mensagem suspeita pode ser encaminhada ao canal de denúncias: [email protected]. Além disso, o banco diz que conta com um mecanismo em que se o cliente estiver em ligação e tentar acessar o aplicativo bancário, será exibida uma tela de alerta informando sobre risco de golpe.
FEBRABAN
A Febraban recomenda que foliões utilizem bloqueio de tela e biometria (facial ou digital) para acessar o celular. Segundo a entidade, é fundamental ativar todas as ferramentas de segurança disponibilizadas pelo fabricante.
Para garantir que pagamentos foram realizados no valor correto, a orientação é pedir o comprovante da transação ou conferir as notificações do aplicativo do banco. A entidade também sugere manter o celular em local protegido sempre que possível. Em bloquinhos de Carnaval, doleiras e roupas com zíper interno são alternativas para reforçar a segurança.
Caso o cliente seja vítima de crime, deve notificar imediatamente o banco para adoção das medidas cabíveis e registrar boletim de ocorrência. “O ideal é agir rápido. Quanto mais tempo o aparelho fica nas mãos do criminoso, maiores podem ser os danos”, afirma Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban.
A entidade também orienta o uso do MED (Mecanismo Especial de Devolução) 2.0 em casos de golpes via Pix. A ferramenta amplia as chances de recuperação de valores transferidos em fraudes.
O cliente pode registrar a reclamação junto à instituição financeira em até 80 dias após a realização do Pix. Após a contestação, os recursos são bloqueados na conta do recebedor para análise e, se a fraude for confirmada, devolvidos à vítima.
VEJA AS RECOMENDAÇÕES DE EMPRESAS DE TECNOLOGIA
O Google recomenda ativar a verificação biométrica (facial ou impressão digital) em vez de PIN para desbloquear o celular durante o Carnaval. A empresa também orienta habilitar a “Proteção contra roubo”, disponível nas configurações do aparelho.
O recurso inclui o Bloqueio por Detecção de Roubo, que utiliza sensores e inteligência artificial para identificar movimentos que indiquem furto e bloquear a tela automaticamente; o Bloqueio Remoto, que permite travar o aparelho à distância em caso de perda ou roubo; e o Bloqueio de Dispositivo Offline, que bloqueia a tela se o aparelho permanecer desconectado da internet por determinado período.
O Google também sugere o uso da Carteira do Google para pagamentos, reduzindo a necessidade de portar dinheiro ou cartões físicos.
SAMSUNG
A Samsung disponibiliza a ferramenta Samsung Find, que permite localizar aparelhos perdidos ou roubados. O recurso costuma ser ativado automaticamente quando o usuário faz login na conta Samsung durante a configuração do dispositivo.
A ferramenta possibilita localizar o aparelho, emitir um som para facilitar a identificação, ativar o modo “Perdido” que bloqueia a tela e restringe o acesso a sistemas de pagamento e apagar dados remotamente.
APPLE
Nos iPhones, a Apple oferece o recurso “Proteção de Dispositivo Roubado”, que adiciona camadas extras de segurança quando o aparelho está longe de locais conhecidos, como casa ou trabalho.
Para acessar senhas salvas ou cartões armazenados, o sistema exige autenticação biométrica (Face ID ou Touch ID). Em alterações sensíveis, como a mudança de senha da Conta Apple, o usuário pode precisar aguardar uma hora e realizar nova autenticação.
Para ativar o recurso, é necessário utilizar a autenticação de dois fatores da Conta Apple, configurar um código de acesso, ativar o Face ID ou Touch ID, habilitar “Locais Importantes” e manter o recurso “Buscar” ativo.
CELULAR SEGURO
Em caso de furto, roubo ou perda, é possível utilizar o aplicativo Celular Seguro para bloquear o aparelho e evitar movimentações financeiras indevidas. Lançado em dezembro de 2023, o aplicativo não exige cadastro prévio.
Para utilizá-lo, é preciso acessar a plataforma por outro dispositivo, fazer login com a conta Gov.br e registrar a ocorrência informando o tipo de incidente, a data, o horário aproximado e a linha telefônica vinculada.
O sistema oferece duas modalidades: o modo recuperação, que bloqueia a linha telefônica e o acesso a aplicativos bancários, e o bloqueio total, que impede o uso do aparelho com novos chips por meio do bloqueio do IMEI, número único de identificação do celular. Nesse caso, a reativação só pode ser feita junto à operadora.



