BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O relatório da Polícia Federal entregue ao STF (Supremo Tribunal Federal) com informações sobre as relações entre Dias Toffoli e o Banco Master aponta indícios de crimes que podem ter sido cometidos pelo ministro.
O documento entregue ao presidente do tribunal, Edson Fachin, é uma Informação de Polícia Judiciária, que pode levar não apenas a uma análise sobre a imparcialidade, ou suspeição, de Toffoli para conduzir o processo mas também a uma investigação contra o ministro.
A PF entregou o relatório com os achados sobre o magistrado à corte nesta semana. Para levar o caso ao Supremo, os investigadores se basearam no artigo 33 da Loman (Lei Orgânica da Magistratura) sobre a prerrogativa de juízes que prevê o envio dos autos às respectivas cortes em caso de suspeitas. A informação foi publicada primeiro pela revista Piauí e confirmada pela reportagem.
“Quando, no curso de investigação, houver indício da prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao tribunal ou órgão especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na investigação”, diz o artigo.
Sem autorização do Supremo, a polícia não pode prosseguir com uma investigação envolvendo um integrante da corte.
A petição também baseia-se em um artigo do próprio regimento interno do Supremo, segundo o qual a arguição de suspeição, processo de questionamento da imparcialidade, será feita perante o presidente do tribunal, “instruída com os documentos comprobatórios da arguição e o rol de testemunhas”.
A partir do relatório entregue pela PF, Fachin optou por abrir uma arguição de suspeição -que pode levar ao afastamento de um magistrado- e a encaminhou ao ministro Dias Toffoli. Toffoli respondeu nesta quinta afirmando não ter razão para se afastar do caso. No início da noite, no entanto, ministros do STF decidiram, após reunião a portas fechadas, que Toffoli deixará a relatoria do caso.
Procurado via STF, ministro não se pronunciou sobre apontamento da polícia.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, o relatório entregue pela PF ao STF aponta que Toffoli recebeu dinheiro da Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo da teia do banqueiro Daniel Vorcaro.
Ele disse que isso ocorreu por ser sócio da empresa junto a outros familiares. Em nota divulgada nesta quinta, o ministro confirmou que “faz parte do quadro societário” da empresa Maridt, que foi uma das donas do resort Tayayá, no Paraná.
Como informou a coluna Mônica Bergamo, o relatório da PF tem mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a Maridt.
Nas mensagens, Vorcaro e Zettel citam o nome do magistrado e combinam as transferências, que seriam pagamentos pela compra do resort. Há menções a pagamentos recentes, feitos em 2025, ano em que o negócio foi concluído.
Em nota, o ministro afirmou que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
De 2021 a 2025, como revelou a Folha de S. Paulo, os irmãos José Eugenio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli dividiram o controle do Tayayá, no Paraná, com o fundo de investimentos Arleen.
O Arleen entrou na sociedade em 2021, comprando cotas de empresas que pertenciam aos irmãos e a um primo de Toffoli. O Arleen era de propriedade de outro fundo, o Leal, que, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.



