BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiram nesta quinta-feira (12), após reunião a portas fechadas, que o ministro Dias Toffoli deixará a relatoria do caso Banco Master e que as provas e atos relacionadas ao processo continuarão na corte. A redistribuição do caso ocorrerá ainda nesta quinta.

Em nota conjunta, os magistrados saíram em defesa de Toffoli e afirmaram “não ser caso de cabimento para arguição de suspeição”.

“Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência”.

A decisão impede que a investigação em torno do banco volte à estaca zero. Se Toffoli fosse considerado suspeito ou impedido, todas as decisões assinadas até aqui seriam automaticamente anuladas. Os depoimentos já colhidos, a acareação entre banqueiros e os mandados de busca cumpridos não teriam mais validade.

A decisão ocorre após a Polícia Federal entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatóro mostrando uma troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem o ministro entre seus sócios, como revelou a Folha de S. Paulo.

Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel chegou a ser detido pela PF. Ele funcionava como uma espécie de gerente do caixa do cunhado.

Nas mensagens, Vorcaro e Zettel citam o nome do magistrado e combinam as transferências, que seriam pagamentos pela compra de um resort que tinha a Maridt como sócia. Há menções a pagamentos recentes, feitos em 2025, ano em que o negócio foi concluído.

Toffoli declarou aos colegas do STF nesta quinta que não era suspeito e que gostaria de permanecer na relatoria. Ele, no entanto, foi pressionado pelos ministros para deixar o caso.

A PF também encontrou no celular de Daniel Vorcaro conversas entre o banqueiro e Toffoli. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pela Folha de S. Paulo com uma autoridade que acompanha as investigações.

Nesta quinta (12) Toffoli confirmou, em nota, que “faz parte do quadro societário” da empresa Maridt, que foi uma das donas do resort Tayayá, no Paraná, como antecipado pela coluna Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

No texto, ele confirma ainda que a empresa “foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro” até 21 de fevereiro de 2025. E que vendeu cotas do negócio ao fundo Arleen, que faz parte da teia do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por supostas irregularidades na condução do Banco Master.

Ele afirma, no entanto, que nunca soube quem era o gestor do fundo Arleen. E acrescenta, na nota, que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”.

Toffoli diz também “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

Durante quatro anos (entre 2021 e 2025), como revelou a Folha de S. Paulo, os irmãos José Eugenio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli dividiram o controle do Tayayá, no Paraná, com o fundo Arleen. O Arleen entrou na sociedade em 2021, comprando cotas de empresas que pertenciam aos irmãos e a um primo de Toffoli. O Arleen era de propriedade de outro fundo, o Leal, que de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, pertence a Fabiano Zettel.

Em conversas reservadas com pessoas próximas, Toffoli vem afirmando que não mantinha contato com o ex-banqueiro, mas que haveria mensagens nas quais Vorcaro mencionaria seu nome. Procurado, o STF não se manifestou sobre essas informações.

A referência a Toffoli fez com que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, levasse o material obtido no telefone ao presidente do STF, Edson Fachin.