RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O lucro da Vale caiu 56% em 2025, para R$ 13,8 bilhões. Segundo a companhia, o resultado reflete aumento de provisões no fim do ano e questões contábeis. No quarto trimestre, a mineradora teve prejuízo de R$ 21 bilhões.
Sem considerar os efeitos extraordinários, o lucro subiu 5%, para R$ 43,5 bilhões, informou a companhia no balanço divulgado nesta quinta-feira (12). O resultado do quarto trimestre foi um lucro de R$ 7,9 bilhões.
“Em 2025, a Vale entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todos os guidances [metas] enquanto avançou em prioridades estratégicas que reforçam nossa ambição de longo prazo”, disse o presidente da companhia, Gustavo Pimenta.
No ano, a Vale produziu 336 milhões de toneladas de minério de ferro, crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior e melhor desempenho desde 2018, antes do desastre de Brumadinho, que deixou 272 mortos após o rompimento de uma barragem de rejeitos.
O volume é próximo à produção registrada pela Rio Tinto, que tomou da Vale o posto de maior produtora de minério de ferro do mundo com as restrições operacionais impostas à mineradora brasileira após o acidente.
Mas a receita de vendas do mineral, o principal negócio da companhia, sofreu com o menor preço do minério de ferro. O preço médio realizado pela companhia foi de US$ 91,6 por tonelada, 3,9% inferior ao registrado em 2024.
A receita total da Vale subiu 4% no ano, para R$ 213,5 bilhões. O Ebitda, que é o indicador de geração de caixa, subiu 7%, para R$ 85,9 bilhões.
O resultado negativo, diz a mineradora, foi impactado por aumento em R$ 2,4 bilhões para a tragédia de Mariana (MG) com a responsabilização da sócia BHP pela Justiça do Reino Unido em novembro de 2025.
Também contribuiu a não repetição de ganho contabilizado no quarto trimestre de 2024 com a compra de 15% de participação na Minas-Rio, projeto minerário operado pela Anglo American em Minas Gerais.
A companhia também realizou revisões de valores de ativos de metais básicos no total de R$ 20 bilhões.
No início de fevereiro, a Justiça de Minas Gerais determinou a paralisação das atividades da Vale no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto (MG), que havia sofrido um vazamento duas semanas antes.
Na madrugada do dia 25 de janeiro, cerca de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos extravasaram da cava 18 da mina, atingindo áreas na bacia do Paraopeba. A mineradora informou que as operações no local já estão interrompidas desde o dia 26.



