BUENOS AIRES, ARGENTINA E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Milhares de pessoas realizaram nesta quinta-feira (12) a primeira grande manifestação da oposição na Venezuela desde a deposição de Nicolás Maduro, capturado em um ataque militar dos Estados Unidos há pouco mais de um mês, às vésperas da aprovação de uma lei de anistia histórica.

Aos gritos de “Não temos medo!”, pessoas se reuniram com faixas e bandeiras ao redor da principal universidade do país, em Caracas, atendendo a um chamado do movimento estudantil para comemorar o Dia da Juventude, informaram jornalistas da agência de notícias AFP.

A manifestação é o primeiro protesto em larga escala na Venezuela desde que os EUA capturaram Maduro em uma operação em 3 de janeiro, que incluiu bombardeios na capital e em outras regiões do país. Delcy Rodríguez, que era vice do ditador, assumiu o poder de forma interina e, sob pressão de Donald Trump, sinalizou o fim da repressão política.

“Anistia já!”, dizia uma faixa exibida na entrada da Universidade Central da Venezuela (UCV), onde os manifestantes gritavam “Nem um, nem dois, que todos sejam soltos!”, exigindo a libertação total das centenas de presos políticos que ainda estão atrás das grades. A ONG Foro Penal contabiliza mais de 600 presos políticos ainda aguardando libertação em um processo de indultos iniciado em 8 de janeiro.

Enquanto os manifestantes marchavam nas ruas da cidade, o Parlamento adiou a aprovação, que estava prevista para esta quinta-feira, de uma lei de anistia a presos políticos no país. A iniciativa, promovida por Delcy, já havia sido chancelada em uma primeira leitura.

O projeto que estabelece as bases jurídicas de uma anistia se refere a detidos durante os governos chavistas até os protestos após as eleições de 2024. Após fazer seu juramento na Assembleia Nacional, a líder interina anunciou uma iniciativa que concedeu liberdade condicional a mais de 400 pessoas.

Ao longo da tarde, os parlamentares vinham aprovando, com unanimidade, artigo por artigo do projeto, até que a Casa decidiu suspender a discussão. “Vamos continuar na sessão ordinária seguinte, na semana que vem”, disse o presidente da Assembleia e irmão de Delcy, Jorge Rodríguez.

Os deputados não entraram em consenso sobre um dos artigos, que excluía da anistia acusados de violações graves de direitos humanos, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, homicídio doloso, narcotráfico e crimes contra o patrimônio público.

A líder opositora venezuelana, María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025, publicou um vídeo da manifestação em que diversos protestantes aparecem com blusas brancas, algo típico em suas manifestações. “A Venezuela será livre! Viva os nossos estudantes!”, escreveu.

Líderes chavistas também convocaram uma manifestação no centro de Caracas, que reuniu milhares de pessoas. Grupos de jovens e militantes a favor da líder interina Delcy Rodríguez marcharam pela capital, demonstraram apoio a Maduro e condenaram os ataques americanas que o depuseram.