SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Donald Trump ameaçou novamente o Irã em meio às negociações para um acordo nuclear. O presidente dos Estados Unidos afirmou que os países “precisam chegar a um acordo” e, caso isso não aconteça “será muito traumático, muito traumático mesmo”.
O americano se reuniu com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, nesta quarta (11) para discutir sobre o acordo que visa limitar o programa nuclear iraniano e seus mísseis balísticos.
Em uma entrevista coletiva nesta quinta, Trump afirmou que teve “uma reunião muito boa” com o israelense e reiterou suas ameaças caso o Irã não aceite um novo tratado. “Não quero que isso aconteça, mas precisamos chegar a um acordo”, afirmou.
Já o gabinete de Netanyahu emitiu uma nota sucinta logo após o encontro, dizendo que os líderes falaram sobre “as negociações com o Irã, Gaza e acontecimentos regionais”. “O primeiro-ministro enfatizou as exigências de segurança do Estado de Israel no contexto das negociações”, diz a nota.
Os EUA têm um porta-aviões estacionado nas proximidades do Irã, e Trump ameaçou enviar outro na terça (10). Washington vem montando um cerco militar ao redor do país, mas o republicano manda sinais trocados sobre o que pretende fazer.
Ainda na entrevista desta quinta, Trump defendeu que Netanyahu deveria receber perdão oficial pelas acusações de corrupção que pesam sobre ele, afirmando que o presidente israelense, Isaac Herzog, deveria ter “vergonha” por não concedê-lo.
O americano disse que o premiê foi um grande líder em tempos de guerra e que o povo israelense deveria envergonhar Herzog por não o perdoar. “É vergonhoso da parte dele não conceder o indulto. Ele deveria concedê-lo”, repetiu Trump.
Netanyahu é o primeiro premiê israelense em exercício a ser acusado de um crime e nega as acusações de suborno, fraude e quebra de confiança que remontam a seu indiciamento de 2019. Trump já havia pedido publicamente ao presidente israelense que perdoasse Netanyahu e disse, no final de dezembro de 2025, que Herzog lhe havia dito que o perdão estava a caminho. Naquele momento, o gabinete presidencial contestou a informação.
De acordo com a lei israelense, o presidente tem autoridade para perdoar condenados. Mas não há precedente para a concessão de um perdão durante o julgamento.
Em resposta a perguntas sobre o comentário de Trump, o gabinete de Herzog afirmou que o pedido de Netanyahu está sob análise do Ministério da Justiça de Israel para um parecer jurídico e que, assim que esse processo for concluído, o presidente analisará o pedido.
“Israel é um Estado soberano governado pelo Estado de Direito. Ao contrário da impressão criada pelas declarações do presidente Trump, o presidente Herzog ainda não tomou nenhuma decisão sobre este assunto”, declarou o gabinete.



