SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Unesp (Universidade Estadual Paulista) vai abrir um bacharelado em língua e cultura chinesas, com 40 vagas no Vestibular Meio de Ano de 2026. O curso será oferecido à noite, na Faculdade de Ciências e Letras de Assis, e permitirá que até 20 alunos façam os dois últimos anos na Universidade de Hubei, em Wuhan, com direito a duplo diploma.
É a primeira graduação no país com esse formato, segundo a universidade. A proposta combina ensino de mandarim, formação sociopolítica e disciplinas voltadas às relações comerciais entre Brasil e China.
A diretora da Faculdade de Ciências e Letras de Assis, Renata Udulutsch, afirma que a discussão começou em 2022, inicialmente como uma habilitação em chinês dentro do curso de letras. A proposta não avançou. No fim de 2023, a unidade apresentou um novo desenho, mais amplo, que resultou no bacharelado.
“A gente não queria apenas um curso de letras. Pensamos em algo que unisse língua, cultura e questões ligadas à economia e às relações internacionais, considerando o papel da China no cenário mundial”, diz. Segundo ela, cooperativas e empresas do agronegócio da região também manifestaram interesse em profissionais com conhecimento sobre o país asiático.
Hoje, a USP oferece bacharelado em língua chinesa. Para a diretora, o diferencial da Unesp está na formação integrada e na dupla titulação. “Nós não temos uma formação tão ampla quanto neste curso que está sendo oferecida. Pegamos os principais aspectos relacionados à relação comercial Brasil-China e incluímos nos programas das disciplinas , afirma.
Nos dois primeiros anos, todos os alunos cursam um núcleo comum, com disciplinas de língua, literatura e cultura chinesas, além de história, política, filosofia e economia. Não será exigido conhecimento prévio de mandarim. Segundo a diretora, o estudante conclui o segundo ano com proficiência.
Ao fim da primeira metade da graduação, até 20 alunos poderão seguir para a China. A seleção levará em conta o desempenho acadêmico e a nota em exame de proficiência aplicado pelo Instituto Confúcio, parceiro da Unesp desde 2008 e ligado à promoção da língua e da cultura chinesas. Também será considerado o total de créditos concluídos.
Quem permanecer no Brasil receberá diploma da Unesp, com ênfase em tradução. Quem concluir metade do curso em Wuhan terá dupla titulação, com foco em relações comerciais internacionais. A dupla diplomação, segundo a universidade, tem reconhecimento formal nos dois países.
Os estudantes selecionados para a China terão passagem aérea, moradia, alimentação e bolsa custeadas pelo governo chinês. O número de vagas foi limitado em razão do custo do programa. A parceria também prevê aporte anual de cerca de US$ 300 mil para melhorias de infraestrutura na unidade de Assis.
Do lado da Unesp, o curso exigirá a contratação de cinco docentes e dois servidores técnico-administrativos. Três vagas devem ser abertas na fase inicial: língua e literatura chinesa, história do Leste Asiático e economia internacional.
Das 40 vagas, 36 serão preenchidas pelo vestibular tradicional e 4 pelo processo seletivo Unesp-Enem. Metade das vagas de cada processo será destinada ao sistema universal e metade a estudantes de escola pública, conforme as regras já adotadas pela universidade. As vagas para medalhistas de olimpíadas científicas não se aplicam ao curso, por se tratarem de vagas adicionais.
O curso será oferecido apenas no vestibular de meio de ano, com início das aulas em agosto de 2026, mês que marca o começo do ano letivo na China. Segundo a diretora, a unidade já recebeu consultas de interessados de outros estados e a expectativa é de alta procura. Não há, por ora, previsão de intercâmbio no sentido inverso, com alunos chineses cursando parte da graduação em Assis.



