BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Maridt Participações, empresa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, contratou Guilherme Lippi, que é sócio do escritório do advogado Walfrido Warde desde 2014. Warde foi um dos principais profissionais da equipe de defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a partir de 2017, e deixou de atuar para ele no final de janeiro deste ano.

Lippi aparece como advogado da Maridt em dois documentos apresentados na Junta Comercial de São Paulo em dezembro de 2022 e janeiro de 2023, quando a empresa era sócia do fundo Arleen no resort Tayayá, no interior do Paraná. Esse fundo pertence a uma rede controlada pelo Banco Master.

A participação de um sócio de Warde como advogado da empresa de Toffoli representa mais um vínculo entre o ministro e um profissional que atuava a favor de Vorcaro. Na ocasião, Warde também contava em seu escritório com a advogada Roberta Rangel, então mulher do ministro.

O nome de Lippi aparece em atas de assembleias gerais extraordinárias dos acionistas. A primeira, de 5 de dezembro de 2022, consolida o estatuto social da Maridt. Na época, os diretores da empresa eram os irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugenio Dias Toffoli.

A segunda ata, de 14 de março de 2023, trata da substituição de José Carlos Dias Toffoli na diretoria por um outro parente do ministro, Igor Luiz Pires Toffoli. Nos dois casos, o nome dos acionistas é deliberadamente omitido.

A firma Warde Advogados afirmou que a Maridt não é cliente da banca, “que observa, para além disso, que está sujeita aos deveres de sigilo que pautam a advocacia”.

A reportagem apurou que a atuação de Lippi com a Maridt se deu sem vinculação direta com o escritório. O advogado Warde também não teria atuado no Supremo no escândalo Master. Warde participou da defesa do ex-banqueiro no caso em outras frentes, segundo fontes próximas a ele.

A mulher de Toffoli, a advogada Roberta Rangel, entrou no escritório de Warde em 2021 e ficou até fevereiro de 2023. Os dois se divorciaram no ano passado.

Toffoli não comentou a ligação entre sua empresa e a banca que advoga para Vorcaro. Sua nota afirma que “a Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil”.

“Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas”, afirmou o ministro.

A Folha de S. Paulo revelou que Toffoli era sócio da Maridt Participações, empresa que detinha uma participação no resort Tayayá. A revelação veio após a PF (Polícia Federal) consultar o STF (Supremo Tribunal Federal) sobre uma possível suspeição de Toffoli em relação ao caso Master.

A consulta se baseou em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro que mencionavam o ministro.

Durante quatro anos (entre 2021 e 2025), como mostrou a Folha de S. Paulo, a empresa dos irmãos Toffoli dividiram o controle do Tayayá, no Paraná, com o fundo de investimentos Arleen, que compõe a rede de fundos fraudulentos do Banco Master.

O Arleen entrou na sociedade em 2021, comprando cotas de empresas que pertenciam aos irmãos e a um primo de Toffoli. O Arleen era de propriedade de outro fundo, o Leal, que de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.

Em nota, Toffoli afirmou que nunca soube quem era o gestor do Arleen e que jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro

Zettel vendeu o Arleen para um empresário amigo do ministro Dias Toffoli, Alberto Leite, que ficou com as cotas do fundo entre fevereiro e julho de 2025, como mostrou a Folha de S. Paulo.

Hoje, o Tayayá pertence ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que comprou as participações de todos os sócios. O empresário também é advogado e atuou para a JBS.

A PF também encontrou no celular de Vorcaro conversas entre o banqueiro e Toffoli. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pela reportagem com uma autoridade que acompanha as investigações.