SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo brasileiro não enxerga risco iminente de uma queda do líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, na esteira das medidas dos Estados Unidos que visam sufocar a economia do país. Na visão do Planalto, Cuba passa por uma situação diferente da vivida na Venezuela onde o agora ex-ditador Nicolás Maduro foi capturado e retirado do poder pelo governo americano e do Irã, onde houve uma onda de protestos contra o regime dos aiatolás e há pressão de Donald Trump sobre a teocracia persa. A percepção é de que, em Cuba, não há manifestações amplas de insatisfação da população com o governo.
O Planalto não descarta, porém, a possibilidade de que o aprofundamento da crise humanitária em curso em Cuba possa causar instabilidade no regime castrista. Segundo um funcionário do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conversou recentemente com Díaz-Canel.
O governo brasileiro vê uma situação humanitária crítica em Cuba e se prepara para enviar ajuda , com remessas de alimentos e medicamentos. Os primeiros navios com mantimentos vindos do México chegaram à ilha nesta quinta (12).
O governo Trump baixou um decreto que prevê tarifas retaliatórias contra países que fornecerem combustível para Cuba. O país já sofria os efeitos da interrupção de fornecimento de petróleo da Venezuela após a queda de Maduro.
Devido à escassez, autoridades cubanas cancelaram fornecimento de querosene de aviação para voos na ilha, fecharam hotéis e reduziram a semana de trabalho para quatro dias. A crise se dá em um contexto que já era de privação generalizada de remédios, instabilidade econômica e êxodo em massa.
Os cubanos têm enfrentado falta de eletricidade durante a maior parte do dia. O temor é que falte combustível para, por exemplo, geradores em hospitais, o que agravaria a situação.
O governo Lula vê, por enquanto, uma crise mais humanitária do que política. No Irã, também vítima de bloqueio econômico, há um processo de questionamento do regime. Na Venezuela, já havia planos desenhados de intervenção americana. Em Cuba, na visão do Planalto, tudo vai depender de como vai se desenrolar a escassez econômica.
O assunto pode ser tema do encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump em Washington. Em evento do PT na semana passada, Lula voltou a criticar a ação de Washington contra Cuba, afirmando que o país sofre “massacre de especulação”.
A visita de Lula a Trump, que começou a ser discutida em novembro do ano passado e estava prevista para março, ainda não tem uma data.



