BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Lula (PT) se reuniu, nesta quarta-feira (11), com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e voltou a pedir que ele seja candidato ao Governo de Minas Gerais, onde o petista ainda busca construir um palanque forte para impulsionar sua reeleição.
O senador, porém, manteve sua resistência e indicou a Lula outros possíveis candidatos do campo no estado. Pacheco respondeu que pretende encerrar sua carreira política e que só iria concorrer se não houvesse alternativa –o que não é o caso na sua avaliação.
Para aliados de Pacheco, a decisão de ser candidato está sendo amadurecida. Um dos entraves para isso, a busca de um novo partido, foi superado com o acerto de filiação ao União Brasil, como mostrou a Folha. Ainda persistem, contudo, questões sobre como viabilizar a candidatura do senador.
Entre os nomes alternativos discutidos entre Lula e Pacheco para concorrer ao governo mineiro estão o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD); o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT); a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT); o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB); a reitora da UFMG, Sandra Goulart; o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares; e o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia.
Enquanto Lula insiste em Pacheco, o PT já vinha testando esses e outros nomes diante da indefinição do cenário no estado, considerado crucial na eleição nacional por ter o segundo maior colégio eleitoral. O plano B inclui ainda o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB).
Após o encontro entre Lula e Pacheco, que ocorreu à tarde, cresceu a pressão sobre o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, relator do caso do Banco Master, após a revelação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem o magistrado entre seus sócios.
No ano passado, Pacheco foi preterido por Lula para uma vaga no STF -o petista preferiu indicar o ex-advogado-geral da União, Jorge Messias, contrariando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A crise no STF levantou a hipótese, principalmente entre bolsonaristas, de que um eventual afastamento de Toffoli abra espaço para uma nova indicação de Lula à corte, que naturalmente seria Pacheco.
Interlocutores do senador afirmam que ele leva em conta neste momento apenas a eleição de outubro, já que essa é a prioridade de Lula, enquanto os desdobramentos no STF correm em paralelo e podem levar mais tempo.
Pacheco deve se filiar ao União Brasil, embora tenha mantido conversas também com o MDB. A filiação foi intermediada por Alcolumbre, de quem ele é próximo, e afasta ainda mais o União Brasil do apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) -principal adversário de Lula.
O deputado federal Rodrigo de Castro, aliado de Pacheco, assumiu a presidência do diretório estadual do partido para pavimentar a migração do senador.
Com as mudanças, o União Brasil e a federação União Progressista, que inclui o PP, desembarcam da candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD), que assumirá o governo em abril após a renúncia de Romeu Zema (Novo) e concorrerá à reeleição. Simões é adversário de Pacheco, e sua filiação ao PSD forçou a saída do senador do partido. Zema, por sua vez, deve concorrer ao Palácio do Planalto com o apoio do seu vice-governador.
Petistas vislumbram uma chapa forte para Pacheco, tendo Kalil e Marília como candidatos ao Senado. Lula fala, nos bastidores, que pretende contar com o senador para um projeto político amplo. Ele propõe a montagem de um palanque que dê segurança para que Pacheco assuma o desafio.
Lula e seus aliados avaliam que a eleição presidencial de 2026 será acirrada. Ter candidatos fortes a governador fazendo campanha pelo petista seria importante para ele não perder votos que teve nos estados em 2022. Naquele ano, Lula obteve 50,2% dos votos mineiros.



