SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O governo e a Prefeitura de São Paulo elaboraram de forma conjunta um novo plano de segurança para os megablocos de Carnaval. As novas diretrizes alinhadas por meio de uma reunião com integrantes das polícias e da administração municipal incluem maior controle de público com drones, “linha da vida” menor e mais ambulâncias em blocos.
Representantes do governo do estado e da prefeitura definiram mudanças no plano de segurança para o Carnaval de São Paulo. Uma reunião realizada na última terça-feira identificou gargalos e definiu novas diretrizes para evitar superlotação e confusão nos megablocos. Estiveram presentes no encontro representantes da Polícia Militar, da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, da Secretaria Municipal de Segurança e da Guarda Civil Metropolitana.
Controle mais rígido de acesso de foliões será adotado, diz o coronel Henguel Ricardo Pereira. Segundo ele, que é secretário executivo de Secretaria da Segurança Pública, o público nos megablocos será controlado por meio de drones, helicópteros e imagens aéreas. “À medida que os espaços forem ficando cheios, vamos abrindo as laterais”, diz o coronel. “Com a chegada dos foliões vamos reacomodando o pessoal.” Os governos preveem manter o uso de gradis ao longo do trajeto dos megablocos.
Controle dos acessos terá mais monitoramento, segundo o coronel. O secretário explica que os espaços adjacentes aos megablocos serão liberados com antecedência maior. “Não será algo engessado”, explica ele. “Os blocos são estruturas dinâmicas e o mais importante é garantir que eles possam se movimentar.”
Comunicação dos artistas com o público ajuda a evitar tumulto, afirma coronel. “O próprio artista consegue dar o tom de como será o evento. A Ivete Sangalo, por exemplo, não puxou muitas danças porque se não ficaria desconfortável. Ela se comunicou o tempo todo com o público”, diz. “Ao contrário do Calvin Harris, que teve a barreira do idioma, da comunicação. Nos atentamos para isso.”
Haverá um guarda municipal e um PM em cada um dos carros dos megablocos, de acordo com a Polícia Militar. Segundo o coronel, a ideia é deslocar uma pessoa da segurança pública e urbana para organizar os espaços.
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ATENDIMENTO EMERGENCIAL
“Linha da vida” será menor e haverá mais ambulâncias espalhadas, prevê plano. A linha da vida é o espaço que fica vazio para a circulação de serviços emergenciais. “Temos de ter uma espécie de corredor para as pessoas que passam mal. Este ano diminuímos um pouco a linha da vida, que é o espaço para passar ambulâncias, e colocamos mais ambulâncias e postos de atendimento médico disponíveis”, afirma Pereira. A estratégia é para aumentar o espaço destinado aos foliões. “Precisamos pensar na mobilidade dos blocos.”
Outras medidas também serão adotadas como o fornecimento de água aos foliões. Segundo o coronel, haverá o fornecimento de água em copos plásticos nos dias de festa. “Prefeitura e Sabesp estão em contato para que a gente possa servir os copinhos de água nesses dias quentes.”
INFRAESTRUTURA, PRÉDIOS PÚBLICOS E AMBULANTES
Colapso de infraestrutura de comunicação atrapalhou o trabalho das polícias, avalia Pereira. Segundo ele, ficou decidido em reunião que as empresas de telefonia serão acionadas para que haja um reforço dos serviços de internet e sistemas de dados nas áreas de circulação dos megablocos. Com isso, na avaliação do secretário, as polícias têm mais celeridade na comunicação.
Polícia fará controle mais rígido com tapumes em marquises e prédios públicos para evitar depredações. “Tivemos muitos pontos de ônibus danificados no último fim de semana, por isso vamos adotar contenções de segurança para salvaguardar o fluxo de pessoas que moram e chegam às regiões”, diz o coronel. Segundo o secretário executivo de segurança, um mapa com prédios públicos e marquises que necessitavam de tapumes foi elaborado, e a previsão é que até os dias de festa os tapumes estejam instalados.
Plano prevê mais fiscalização de vendedores ambulantes no entorno dos trios. Segundo a prefeitura, 15 mil ambulantes foram credenciados para trabalhar neste Carnaval. “Não será permitido que eles fiquem na frente do megabloco. Vamos controlar esse pessoal e colocá-los numa posição estratégica para que os equipamentos não atrapalhem a movimentação dos trios.”
TRANSPORTE PÚBLICO
Ampliação no número de trens em circulação e de agentes de segurança em estações também está prevista no plano dos governos estadual e municipal. Segundo o coronel Pereira, a decisão de fechar ou não uma determinada estação será tomada nos dias do evento de acordo com o fluxo de passageiros em cada uma delas.
Medidas para controle de fluxo poderão ser adotadas, informou a ViaQuatro, responsável pelas operações da Linha 4 – Amarela. “A estação Higienópolis-Mackenzie permanecerá aberta e operando para embarque e desembarque durante o período de Carnaval. Visando assegurar a integridade de clientes e colaboradores, poderão ser adotadas medidas de controle de fluxo, incluindo o fechamento temporário de acessos da estação, caso a concentração de público no entorno exceda os limites de segurança das plataformas.”
MEGABLOCO TEVE TUMULTO E FOLIÃO PASSANDO MAL
A reunião para definição do plano ocorreu após tumulto no pré-Carnaval. Desmaios e tumultos foram registrados no bloco do DJ Calvin Harris, e houve atraso no bloco seguinte. Um plano de contingência da prefeitura foi acionado para lidar com a multidão. Teve empurra-empurra, vandalismo e várias pessoas passando mal. Foliões acabaram destruindo grades da Escola Paulista da Magistratura, que fica na rua da Consolação, devido à superlotação. A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital instaurou uma sindicância na segunda-feira para apurar o caso.



