SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O delegado Alexandre Bento, do 42° DP (Parque São Lucas), na zona leste de São Paulo, afirmou nesta quinta-feira (12) que os responsáveis pela academia C4 Gym visavam apenas ao lucro, sem se importar com alunos ou funcionários. Segundo ele, conforme especificações técnicas, “a carga de cloro que usavam em um dia era para uma semana”, como forma de maquiar a água e não fechar a piscina.

A investigação teve início após a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, 27, depois de uma aula de natação no local no sábado (7). O marido dela segue internado em estado grave. Outras duas pessoas, assim como o homem, estão na UTI. Ao todo, a polícia contabiliza sete vítimas.

A defesa do estabelecimento não retornou os pedidos de posicionamento feitos pela reportagem nesta quinta-feira (12). Em depoimento, um dos sócios disse que o manobrista que realizava a manutenção errou no manuseio do produto. O funcionário, por sua vez, afirmou que recebia instruções do sócio (mais informações abaixo).

As apurações apontam que Juliana morreu por intoxicação de cloro. Uma mistura de diferentes tipos aumentou a toxicidade do ambiente, que era confinado. O balde com o produto foi deixado próximo da raia onde ocorria a aula.

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A Polícia Civil indiciou três sócios do local por homicídio doloso. O manobrista Severino José da Silva, 43, não será indiciado por ora, conforme o delegado.

“O uso excessivo de cloro foi responsável pelo resultado morte da Juliana. Chegamos à conclusão que houve, por parte dos proprietários, descuido e descaso deliberado de forma gananciosa para que o resultado ocorresse”, explicou Bento sobre o pedido de prisão temporária contra os sócios.

O delegado afirmou ter ficado claro que houve manipulação por parte dos empresários, que teriam dificultado a investigação. O delegado Rodrigo Rezende, que também atuou no caso, disse ter ficado comprovado que Severino cumpria ordens de seu superior, que não buscou uma pessoa com capacidade técnica para fazer o trabalho.

Rezende contou que o sócio com quem Severino conversava apagou algumas mensagens do diálogo mantido no dia da morte. Os delegados disseram que os proprietários não forneceram documentos, entre eles a relação dos alunos que estavam na aula para acompanhamento da Vigilância Sanitária.

“Dificultaram acesso aos produtos solicitados, um pedido dos médicos para melhor atendimento dos pacientes intoxicados. Fica claro a ganância dessas pessoas, o descaso com as vítimas”, acrescentou. A prisão seria uma forma de evitar qualquer tipo de interferência deles com outras pessoas, de acordo com a polícia.

A defesa informou que Severino entregou voluntariamente o celular à polícia. Segundo a advogada Bárbara Bonvivini, o aparelho contém conversas que demonstrariam que ele seguia orientações do responsável pela manutenção. “No celular constam as conversas com Celso, que dizia o que deveria ser feito. Ele recebia 100% das ordens do Celso [um dos sócios da academia]”, afirmou.

A direção da Academia C4 Gym declarou, em posicionamento anterior ao indiciamento, lamentar profundamente o ocorrido e disse ter prestado atendimento imediato a todos os envolvidos. Informou ainda que mantém contato com as pessoas afetadas para oferecer suporte e que está colaborando integralmente com as autoridades.