SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um dos sócios da academia da zona leste de São Paulo onde a professora Juliana Bassetto, 27, morreu após nadar na piscina afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que o funcionário responsável pela manutenção cometeu um erro no manuseio de um produto químico. Nos interrogatórios, Celso Bertolo Cruz atribui exclusivamente ao manobrista Severino José da Silva, 43, a falha que teria provocado a intoxicação.
Além de Celso, Cesar Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração prestaram depoimento nesta quarta-feira (11) ao delegado Alexandre Bento, do 42º DP (Parque São Lucas). A polícia os indiciou no inquérito e pediu a prisão temporária do trio à Justiça. Demandada nesta quinta-feira, a defesa dos sócios não respondeu ao pedido de posicionamento sobre a solicitação de prisão feita pelos investigadores.
Em depoimento, Celso disse ser o responsável pela manutenção predial da unidade da Academia C4 Gym do Parque São Lucas. Ele descreveu à polícia o que aparece nas imagens do sistema interno de monitoramento, que mostram Silva destampando um balde com cloro em pó e chacoalhando o objeto, o que teria levantado uma “névoa” do produto no ambiente.
“Posso afirmar com absoluta certeza que Severino errou ao manusear cloro em pó nas proximidades da piscina”, disse Celso.
No interrogatório, ele também esclareceu ter obtido uma certificação para manutenção de piscinas. “Após 2023, quando conseguir a habilitação, tornei-me responsável pela piscina existente na academia. Até a data dos fatos, a manutenção da piscina era feita pelo funcionário Severino sob minha supervisão.”
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do manuseio do produto químico e a responsabilidade de cada um dos envolvidos. Severino prestou depoimento na terça-feira (10). Ele contou que foi contratado para ser manobrista, mas acumulava funções. Ele disse que recebia por Whatsapp orientações de um dos sócios sobre como manusear produtos para tratamento da água. A reportagem não localizou o responsável pela sua defesa nesta quinta-feira.
No depoimento, Celso ainda lembrou um episódio ocorrido no início de 2025, quando a piscina apresentou alteração na qualidade da água e precisou ser fechada. “A piscina começou a turvar e a aplicação de cloro não estava resolvendo, por isso decidi fechar a piscina e interromper as aulas até que o problema fosse resolvido.”
O sócio Cesar Bertolo Cruz, responsável pela área comercial, informou que não participa da rotina operacional da piscina. “Minha função está relacionada à parte comercial, ou seja, não participo da atuação no dia a dia da academia.” Após ter acesso às imagens, classificou o procedimento como “totalmente em desacordo” e “inexplicável”.
Já Cezar Augusto Miquelof Terração disse atuar na gestão financeira da empresa, também afirmou não acompanhar a operação técnica da unidade. No depoimento, ele declarou que o AVCB (auto de vistoria do Corpo de Bombeiros) e os registros da Vigilância Sanitária estariam regulares, mas confirmou que o alvará de funcionamento da prefeitura estava vencido.
“O alvará de licença e funcionamento da prefeitura encontra-se de fato vencido, existindo um alvará da empresa anterior à data em que passaram a administrá-la, mas no documento não constava prazo de validade, razão pela qual acabou não sendo solicitada sua renovação.”



