SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Moradores de bairros demonstram preocupação com a realização de megablocos no Carnaval de São Paulo após episódios de superlotação e problemas no último fim de semana.

No último fim de semana de pré-Carnaval, 182 blocos desfilaram pela cidade. Na região da Consolação, o desfile do DJ Calvin Harris reuniu milhares de pessoas e teve plano de contingência acionado por superlotação. Segundo a prefeitura, não houve incidentes graves, cinco pessoas atendidas foram levadas a hospitais, mas receberam alta rapidamente.

Outra atração de destaque foi Ivete Sangalo. A cantora trouxe o megabloco “Quem Pede, Pede” pela primeira vez a São Paulo, no Parque Ibirapuera. De acordo com a Polícia Militar, o evento reuniu 1,2 milhão de pessoas.

No Jardim Lusitânia, ao lado do Parque do Ibirapuera, a Sojal (Associação dos Moradores e Amigos do Jardim Lusitânia) relata aumento expressivo do fluxo de foliões atravessando o bairro para acessar os blocos. O local foi, justamente, onde Ivete Sangalo fez sua estreia. A superlotação parou o show por quase 1 hora.

Ele diz que, nos primeiros anos, as associações participavam do planejamento com a subprefeitura, mas que hoje as decisões são centralizadas. “O que mais nos preocupa é a superlotação. É uma área muito pequena para tanta gente confinada. O risco é grande”, afirma Nelson Cury, presidente da Sojal.

“Mais de um milhão de pessoas num cubo. Isso já está no limite”, disse Nelson Cury.

Cury defende que a prefeitura repense o local dos megablocos e avalie, de forma técnica, a capacidade da região. “Não somos contra o Carnaval. Somos contra fazer em locais inadequados para essa magnitude.”

No entorno do Parque do Ibirapuera, a movimentação será intensa. Entre os dias 14 e 22 de fevereiro, estão previstos 12 grandes blocos na região, muitos deles com artistas de projeção nacional e histórico de grande público, como Pabllo Vittar, Michel Teló, Gloria Groove, Léo Santana e BaianaSystem. A programação se concentra especialmente entre sábado e terça-feira de Carnaval, com múltiplos desfiles no mesmo dia.

Diante do cenário, associações de moradores temem que episódios semelhantes se repitam nos próximos dias de festa. No Alto de Pinheiros, bairro predominantemente residencial, a Saap (Associação dos Amigos de Alto dos Pinheiros) afirma que historicamente não há tradição de Carnaval na região, além de pequenos blocos locais. “Os moradores não querem Carnaval por aqui”, diz Ignez Barretto, representante da associação.

Segundo ela, o pré-Carnaval transcorreu sem intercorrências, mas há apreensão em relação a um bloco previsto para a avenida Frederico Herman Jr., em frente à Subprefeitura de Pinheiros. “Esperamos que não atrapalhe muito a vida de quem quer sossego.”

Em Pinheiros, a agenda é a mais extensa. De 11 a 28 de fevereiro, estão previstos mais de 70 eventos e blocos na região, distribuídos ao longo de praticamente todo o período carnavalesco. Apenas no sábado, 14 de fevereiro, há mais de dez eventos programados em horários próximos, incluindo blocos de rua e festas noturnas.

Na Vila Madalena, bairro tradicionalmente associado ao Carnaval de rua, a Savima (Sociedade Amigos de Vila Madalena) afirma que o problema não é a festa, mas o formato adotado nos últimos anos. “Excesso de público gera bloqueio de entradas e saídas, dificuldade acesso para ambulâncias, sobrecarga na limpeza urbana e barulho prolongado”, diz o presidente Cássio Calazans.

Ele defende que megablocos sejam direcionados para áreas com maior capacidade estrutural, como as marginais ou Interlagos. “A Vila Madalena não foi projetada para eventos dessa magnitude.”

A preocupação ganha força diante da agenda prevista para o bairro. Entre os dias 13 e 27 de fevereiro, estão programados oito eventos na Vila Madalena, incluindo blocos tradicionais como Acorda Madalena e Ziriguidum, além de desfiles simultâneos no dia 21, quando três blocos estão marcados para o mesmo horário na região.

O QUE DIZ A PREFEITURA

A Prefeitura de São Paulo afirma que o pré-Carnaval foi um sucesso e que o plano de contingência funcionou diante da superlotação. Para os próximos dias, a administração municipal anunciou reforço de segurança com 6.400 agentes da GCM, além de 482 câmeras do programa Smart Sampa e 23 drones para monitoramento.

Na região do Parque Ibirapuera, foram anunciadas duas novas áreas de saída para dispersão de público, pelo estacionamento da Assembleia Legislativa e pela rua Abílio Diniz. Também haverá reposicionamento de postos de saúde dentro do circuito, com 960 profissionais dedicados ao atendimento durante o Carnaval.

A prefeitura informou ainda que agentes municipais passarão a atuar dentro dos trios elétricos nos próximos megablocos para evitar transtornos na dinâmica dos desfiles.