GUILHERME LUIS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dois rapazes com os corpos musculosos molhados de suor competem para ver quem pedala mais rápido. Gemendo, cansados, eles começam a discutir os próximos afazeres, mas prestando atenção noutras coisas nas pernas arreganhadas, nos gogós que se mexem em câmera lenta, na respiração ofegante.
É assim que começa “Rivalidade Ardente”, série de TV que deixou o público brasileiro excitado antes mesmo de chegar de forma oficial por aqui. Canadense, “Heated Rivalry” estreou em novembro do ano passado, e só agora foi importada ao Brasil pela plataforma HBO Max.
Os impacientes apelaram à pirataria e não contiveram o anseio de comentar a série, que se espalhou no boca a boca das redes e virou um fenômeno inesperado no país, com as cenas eróticas compartilhadas de forma ilegal em plataformas como TikTok e X, o antigo Twitter. A HBO, que detém os direitos da série nos Estados Unidos, correu para anunciá-la aqui.
E são muitos os momentos quentes. Logo no início, os protagonistas, dois jogadores de times rivais de hóquei no gelo, precisam dividir um vestiário para tomar banho. Se na vida real isso pode ser pesadelo para muitos gays, na ficção foi o primeiro flerte entre os personagens, o canadense Shane Hollander e o russo Ilya Rozanov.
“Sexo vende, e não se vê muito disso na TV hoje em dia”, diz o criador e roteirista Jacob Tierney. “Nós queríamos que as transas fossem divertidas, excitantes, feitas por dois adultos que consentem e que estão ali para se expressar.”
Sem limitar o tom erótico à trama, “Rivalidade Ardente” fez do próprio elenco uma isca aos mais assanhados. No Instagram, Hudson Williams, o intérprete de Shane, publicou vídeos em que come bananas de forma sugestiva, posa com o abdômen definido à mostra e ensina a fazer musculação. Já Connor Storrie, o Ilya, vem apostando em imagens que mostram suas pernas ele foi elogiado por ter grandes membros inferiores.
“Não acho que os rapazes esperavam que seus corpos fossem dissecados e discutidos da maneira como está sendo, mas, bem, houve muitas avaliações positivas”, brinca o roteirista. “Eles estão felizes. Fora que são jovens, então há um certo tipo de empolgação diferente.”
Williams e Storrie foram de garçons anônimos a atores queridinhos do momento. Desde que a série estreou, cada um ganhou três milhões de seguidores no Instagram, fotos em capas de revistas, convites para grandes programas de TV e até entradas VIP para o último Globo de Ouro, onde apresentaram um dos prêmios. No mês passado, conduziram a tocha das Olimpíadas de Inverno em Milão, na Itália.
“O erotismo entre os dois personagens é uma isca, mas o que impacta as pessoas de verdade é a ternura, o anseio, a saudade que há depois. O público está acostumado a ver ternura levando ao sexo, mas a série quer inverter essa lógica”, afirma Tierney.
A ideia de “Rivalidade Ardente” não é dele. A série vem de um livro homônimo, o segundo da saga “Game Changers”, lançado na semana passada no Brasil pela editora Alt, que teve de se apressar para aproveitar o restinho do tesão de quem viu ou verá a trama nas telas.
Desde que negociou os direitos de publicação, em outubro, a Alt multiplicou por cinco a tiragem do livro para dar conta da demanda que surgiu ainda no período de pré-venda. Em livrarias de São Paulo, a obra foi quase imediatamente alocada nas estantes de mais vendidos.
Tierney temia não conseguir transpor o sexo explícito das páginas para a tela, mas conseguiu convencer os executivos da plataforma de streaming canadense Crave, com a qual já tinha trabalhado, e que deu sinal verde para a pegada sensual que ele tanto desejava.
RIVALIDADE ARDENTE
– Quando Estreia nesta sexta-feira (13), na HBO Max
– Classificação 16 anos
– Elenco Connor Storrie, François Arnaud e Hudson Williams
– Produção Canadá, 2025
– Criação Jacob Tierney



