RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – Uma brasileira está em Milão, na Itália, para participar dos Jogos Olímpicos de Inverno, mas não na briga por um lugar no pódio. Pesquisadora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Bianca Pena integra painel oficial do evento sobre inteligência artificial.

Ela vai participar de palestra na qual será debatido o uso ético e responsável do mecanismo no esporte, e refletir sobre os impactos da tecnologia na governança esportiva.

“A discussão sobre ética e inteligência artificial, especialmente no contexto de sua aplicação pelos quatro comitês ligados ao COI que organizam o encontro, é fundamental para ampliar o alcance dessas instituições, fortalecer suas vozes e engajar diferentes públicos —em especial os jovens”, explica.

O encontro é organizado pelo Comitê Internacional Fair Play (CIFP) —do qual Bianca faz parte—, o International Society of Olympic Historians (ISOH), o Panathlon Rio e o Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin, entidades ligadas ao Comitê Olímpico Internacional (COI).

“O Comitê Olímpico Internacional já vem desenvolvendo aplicativos, ferramentas para maximizar a velocidade para a gestão de dados e, por exemplo, identificação, nas redes, de algum tipo de assédio, bullying cibernético”, diz Bianca.

“Já são usadas ferramentas para maximizar também a questão de conteúdos, broadcasting… Muitos testes foram feitos a partir dos Jogos de Paris, inclusive, no sentido de atendentes virtuais para pronta resposta aos espectadores, esse tipo de interação. Essa implementação já está acontecendo e não há volta”, conta.

Em setembro do ano passado, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) relançou a Academia Olímpica Brasileira, iniciativa que a entidade classificou como espaço de apoio e estímulo à pesquisa em temas como Pierre de Coubertin, educação olímpica, valores olímpicos, Olimpismo e áreas relacionadas.

“O protagonismo brasileiro na questão das discussões dos esportes, agora, se torna ainda mais efetivo porque, no final do ano passado, retomamos a Academia Olímpica. Coordeno o Grupo de Estudos Olímpicos do Rio por ser professora da UERJ e, no Brasil, temos cinco grupos filiados. Isso nos dá uma voz muito grande em termos de pesquisa, aplicações práticas e suporte ao COB no quesito de embasamento científico acadêmico, para que possamos unir as aplicações práticas com bases teóricas”, disse.

A pesquisadora celebrou o fato de o Brasil estar ganhando cada vez mais espaço nas discussões sobre tecnologia no esporte.

Por causa da Copa do Mundo, não apenas das Olimpíadas, estamos levando uma delegação brasileira para os Estados Unidos, em abril, em Miami, para fazermos um hackathon juntando jovens do mundo inteiro para desenvolver inovações tecnológicas para o esporte. Essa delegação brasileira é composta de pesquisadores, cientistas, alunos, startups, dentro de incubadoras de várias universidades do país. E esse grande movimento demonstra o protagonismo do Brasil.

Professora da UERJ, Bianca Pena atua no Instituto de Matemática e Estatística (Departamento de Ciência da Computação) e no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Exercício e do Esporte. É coordenadora do Laboratório de Avaliação, Tecnologia Social e Inovação (LATESI/UERJ) e fundadora do eMuseum of Sport.