Da Redação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um novo alerta à população e aos profissionais de saúde sobre os perigos do uso inadequado de medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” — substâncias que atuam como agonistas do receptor GLP-1, como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida.

Segundo a agência, embora o risco de pancreatite aguda esteja previsto nas bulas, os casos notificados tanto no Brasil quanto no exterior têm crescido, principalmente quando esses medicamentos são utilizados fora das indicações médicas aprovadas. A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode se apresentar com sintomas intensos, como dor abdominal profunda que pode irradiar para as costas, náuseas e vômitos, e em situações graves pode exigir hospitalização imediata.

Entre 2007 e outubro de 2025, a agência reguladora do Reino Unido registrou mais de mil notificações de pancreatite possivelmente ligadas a esse tipo de medicamento, com relatos de óbitos. No Brasil, de 2020 até dezembro de 2025, foram notificadas 145 suspeitas de eventos adversos, incluindo seis casos com desfecho fatal, embora a Anvisa ressalte que a simples notificação não comprova causalidade direta.

Para reduzir o uso indevido, a Anvisa já havia estabelecido em junho de 2025 a obrigatoriedade de retenção da receita médica na venda desses medicamentos em farmácias e drogarias, seguindo regras similares às aplicadas a antibióticos. A prescrição deve ser feita em duas vias e sua validade é de até 90 dias.

A agência reforça que esses medicamentos só devem ser usados sob orientação e acompanhamento médico, respeitando as indicações aprovadas nas bulas, e que qualquer quadro sugestivo de pancreatite exige atendimento de urgência. Profissionais de saúde também são orientados a interromper o tratamento se houver suspeita da complicação e a notificar qualquer reação adversa no sistema VigiMed da Anvisa para fortalecer o monitoramento contínuo da segurança desses produtos.