RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Com mais de três décadas de Carnaval, Viviane Araujo, 50, ainda se surpreende ao olhar para a própria trajetória. Rainha de bateria do Salgueiro no Rio de Janeiro e da Mancha Verde em São Paulo, a atriz lembra que jamais imaginou alcançar esse posto quando começou a desfilar.
“Nunca pensei que chegaria a esse momento nem imaginava nada disso”, diz ela à reportagem. “Estudei educação física, queria trabalhar em academias e aí minha vida foi indo por esse caminho do samba. As coisas foram acontecendo naturalmente, devagar, e, quando vi, já estava tudo crescendo.”
Segundo Viviane, manter-se relevante e admirada no universo do samba, que passou por tantas transformações, é motivo de orgulho. Apesar dos desafios comuns às mulheres que ocupam posições de destaque no Carnaval, ela acredita que a autenticidade foi determinante para sua permanência.
“É difícil. Existe toda aquela questão de a mulher ser vista como objeto, mas acho que nunca deixei de ser eu mesma”, afirma. “Isso pesa muito e faz diferença. É sobre abraçar o público e conquistar as pessoas de uma forma única.”
A larga experiência na avenida, contudo, não fez o nervosismo desaparecer completamente nos dias de desfile. “É muita tensão, muita gente, maquiagem, preparação Eu não consigo relaxar totalmente”, admite.
Para se concentrar, ela aposta na espiritualidade. “Gosto de ficar mais quieta enquanto me arrumo, mais concentrada. E sempre faço uma oração antes de entrar na avenida”, conta ela, que, pelo segundo ano consecutivo, é também musa do camarote Allegria.
Mãe de Joaquim, a artista revela que a maternidade trouxe novas prioridades e também aumentou alguns medos. O filho, que costuma acompanhá-la nos ensaios, ainda não participa de todos por conta do cansaço da rotina intensa.
“Ele aproveita muito, corre a avenida inteira, quer brincar, e chega no final já cansadinho”, explica. “Quero esperar ele crescer um pouquinho mais para aguentar melhor.”
A maternidade também reforçou um receio antigo: o medo de voar de helicóptero. Viviane diz que nunca foi fã do meio de transporte e que, após se tornar mãe, o temor aumentou.
“Avião eu vou porque preciso, mas sempre tive medo”, confessa. “Helicóptero só se for muito necessário. Se o tempo está ruim, não vou mesmo. Depois que sou mãe, penso muito mais.”
Em paralelo ao Carnaval, a atriz também comemora o sucesso da personagem Consuelo em “Três Graças”, da Globo. Ela acredita que a personagem chegou para trazer equilíbrio dentro da trama de Aguinaldo Silva, especialmente ao grupo envolvido no roubo da estátua. “Ela chega com um olhar mais cuidadoso, tentando organizar aquela confusão e cuidar do que eles estão vivendo”, comenta.
A atriz também comenta o reencontro com o cantor Belo, com quem teve um relacionamento duradouro e que agora faz seu par romântico no folhetim. Segundo a atriz, a parceria tem sido pautada pelo profissionalismo e pelo compromisso com o trabalho.
“A gente está empenhado em fazer a novela acontecer”, afirma. “Ele está muito dedicado, estudando bastante, e isso é muito positivo”, elogia Viviane, que minimizou o beijo entre os personagens. “Normal. A gente está ali em prol da novela, para fazer a novela acontecer, para que o resultado seja legal. Estamos trabalhando para que a relação entre Consuelo e Misael seja abraçada pelo público.”



