SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Um homem suspeito de matar e decapitar Dante Brito Michelini, 76, em um sítio de Guarapari (ES) foi preso nesta quarta-feira (12) pela polícia. A cabeça de Dante, que não foi encontrada no local do crime, também foi recuperada.
Suspeito, de 29 anos, dormia escondido no sítio de Dante, mas foi descoberto e expulso a pauladas pelo homem do local. Essa expulsão teria feito com que ele virasse motivo de chacota na vizinhança e motivado o crime, segundo a polícia.
“Segundo o interrogatório, ele ficou com muita raiva pelo fato de ser agredido pela vítima. Ele foi agredido com uma paulada e foi vítima de deboche na região porque teria apanhado de uma pessoa que disseram que era estuprador. Isso criou uma raiva nele”, diz Franco Malini, chefe do DHPP de Guarapari.
A polícia acredita que o homem foi morto entre 19 e 20 de janeiro. O corpo dele foi encontrado somente em 3 de fevereiro, em avançado estado de decomposição.
Criminoso tinha sido preso por outro crime antes de o corpo de Dante ser encontrado. Segundo o delegado José Darcy Arruda, o suspeito foi detido em 28 de janeiro por descumprir uma medida protetiva.
Ele teria confessado o assassinato de Dante de forma inesperada, ao ser levado para prestar depoimento nesta semana. A polícia acredita que o homem seja o autor do crime pela quantidade de detalhes que ele deu sobre o estado em que a casa e o corpo do homem estava.
O suspeito também indicou local onde a cabeça de Dante foi jogada, em um canal no centro de Guarapari. Ele contou à polícia que amarrou a cabeça a pedras para que ela afundasse.
Cabeça estava a quatro metros de profundidade. Na noite desta quarta-feira, os bombeiros seguiam no local tentando encontrar a arma do crime, que, segundo o suspeito, também foi jogada no canal.
Nome do homem preso não foi divulgado. Segundo a polícia, ele era da Bahia e chegou na região de Guarapari no começo do verão, no fim de 2025. O suspeito vivia de bicos na região.
Caso é considerado encerrado pela polícia. A expectativa é de que o suspeito responda por homicídio e ocultação de cadáver.
RELEMBRE O CRIME
Corpo de Dante foi achado decapitado e carbonizado dentro do sítio em que ele morava, em 3 de fevereiro. Um vizinho chamou a Polícia Militar relatando que não via o dono do sítio há algum tempo e que o local tinha sinais de destruição.
“Dantinho”, como era chamado pela família, vivia recluso desde a morte do pai, Dante Barros Michelini, afirmou advogado. Em nota enviada ao UOL, Adir Rodrigues Silva Junior, representante de um dos irmãos de Dante, disse que a família aguardava o andamento das análises da polícia.
Família disse que não há qualquer indício de que Dante sofresse ameaças. O caso é investigado pelo DHPP de Guarapari.
RELEMBRE O CASO
A menina Araceli Cabrera Crespo desapareceu ao sair da escola em maio de 1973. Ela tinha oito anos e morava em Vitória.
Corpo dela foi encontrado seis dias depois abandonado em um matagal. A polícia concluiu que ela foi drogada, estuprada, morta e carbonizada.
Dois herdeiros de famílias poderosas do Espírito Santo foram acusados de cometer o crime contra a menina. Além de Dante, Paulo Constanteen Helal também foi julgado e, em primeiro momento, condenado.
Após a condenação dos dois, a família entrou com recurso e Dante e Paulo foram absolvidos. Na época, as famílias dos homens foram acusadas de usar da sua influência para atrapalhar as investigações. O crime aconteceu no ápice da ditadura militar no Brasil.
Após a absolvição dos homens, o caso seguiu impune e prescreveu em 1993. Em 2023, o estado brasileiro foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização Estados Americanos pela falta de solução para o crime. A OEA pediu que funcionários do estado que tenham intervido na investigação recebessem medidas disciplinares.
Dia do desaparecimento da menina se tornou o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O governo do Espírito Santo criou, em 2023, uma lei que cria o “Alerta Araceli”, que obriga o poder público a emitir um alerta emergencial em caso de desaparecimento de criança ou adolescente no estado.



