SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma mãe registrou um boletim de ocorrência nesta quarta-feira (11) contra a Academia C4 Gym, no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo.

No documento, a mulher afirma que a filha de 5 anos teve sangramentos nasais e dores de ouvido após aulas de natação no local. Segundo atestado médico apresentado à polícia, os problemas de saúde da criança têm relação direta com a qualidade da água da piscina.

A denúncia se soma à investigação sobre a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, 27, que passou mal após participar de uma aula de natação na mesma academia no sábado (7). A polícia apura se a intoxicação foi causada por cloro inadequadamente manuseado por um funcionário.

Ao menos outras seis pessoas passaram mal no mesmo dia, sendo que o marido de Juliana e outras duas vítimas permanecem internados na UTI.

O cloro não chegou a ser despejado na água, mas ficou em um balde próximo à borda da piscina.

A direção da Academia C4 GYM disse ter prestado atendimento imediato a todos os envolvidos e que contribui com a investigação. Questionada sobre o caso específico, a assessoria não respondeu. Na noite desta quarta, três sócios do local prestaram depoimento sobre o caso. Eles foram indiciados por suspeita de homicídio por dolo eventual.

A mãe da criança contou aos investigadores que matriculou a filha na academia em janeiro de 2025, seguindo recomendação médica para atenuar problemas respiratórios. A menina, que passou por cirurgias de adenoide e no tímpano em julho do ano passado, frequentava as aulas duas vezes por semana.

Segundo o relato, após as aulas, a criança apresentava sangramentos nasais e fortes dores de ouvido. Em alguns casos, o sangramento começava ainda na piscina. Há oito meses, as dores passaram a prejudicar o sono da menina, que falta às aulas escolares para ir a consultas médicas. A família tem gastos elevados com medicamentos e atendimentos.

Em depoimento, a mulher afirmou ter notado que a água estava sempre turva e o local apresentava forte odor, temperatura elevada e pouca ventilação. Ela disse ter reclamado diversas vezes da falta de ventilação e também relatou a presença de fios de energia expostos, o que a preocupava durante o banho da filha.

Na semana passada, a criança teve novo sangramento nasal logo após sair da água, seguido de dor intensa de ouvido que a levou ao pronto-socorro do Hospital Bartira. No dia seguinte, o otorrinolaringologista que acompanha a menina disse à mãe que o quadro clínico tem relação direta com problemas na água da piscina. Segundo o médico, a exposição aos produtos químicos está causando a recorrência dos problemas de saúde. O atestado médico foi apresentado aos investigadores.

A mãe relatou ainda ter conversado recentemente com Severino José da Silva, 43, manobrista responsável pela manutenção das piscinas. Ele teria informado que foi necessário trocar toda a água da piscina —mais de 5.000 litros— devido a problemas no encanamento.

Severino prestou depoimento na terça-feira (10) no 42º DP (Parque São Lucas) e disse à polícia que recebia instruções por WhatsApp de um dos sócios sobre o manuseio de cloro.