Kurt Cobain foi encontrado morto em abril de 1994, em Seattle, e sua morte foi registrada oficialmente como suicídio. O caso segue sendo tema de debates e análises décadas após o ocorrido

A REDAÇÃO

Um grupo de cientistas forenses publicou um relatório no International Journal of Forensic Science apontando possíveis inconsistências na investigação que concluiu que o músico Kurt Cobain morreu por suicídio em 1994, aos 27 anos. À época, as autoridades determinaram que o vocalista do Nirvana havia tirado a própria vida com um disparo de espingarda.

O novo documento reúne argumentos médicos e circunstanciais que, segundo os autores, seriam incompatíveis com a hipótese de morte autoinfligida. Entre os pontos citados estão o fato de as mangas de Cobain estarem arregaçadas e a presença de um kit de heroína a poucos metros do corpo. De acordo com o relatório, o estado organizado do material encontrado não seria condizente com um cenário de suicídio.

Os pesquisadores também analisam dados da autópsia, que registrou líquido nos pulmões, hemorragia ocular e danos no fígado e no cérebro. Para o grupo, esses achados se distanciam do que seria esperado em uma morte imediata causada por disparo de arma de fogo e apresentam características que podem estar associadas a quadros de overdose, que comprometem a respiração e a oxigenação do organismo.

O relatório ainda afirma que o sangramento ocular e os danos a órgãos internos podem estar relacionados à privação de oxigênio após o disparo. Além disso, aponta que, em casos de tiro na cabeça, é comum a presença de sangue nas vias respiratórias, o que, segundo os autores, não foi descrito no laudo original.

Outro ponto abordado diz respeito ao tronco encefálico, estrutura responsável pelo controle da respiração. Os cientistas argumentam que, caso essa região tivesse sido gravemente atingida, seria esperada uma rigidez específica na posição do corpo, o que, segundo o relatório, não teria sido observado.

O gabinete do médico legista do Condado de King, responsável pela conclusão oficial em 1994, informou que permanece aberto a revisar o caso caso surjam novas evidências substanciais. No entanto, declarou que, até o momento, não recebeu material que justifique a reabertura formal da investigação.