Da Redação

Plataformas digitais devem adotar, nos próximos meses, novos mecanismos de verificação de idade, incluindo o envio de selfies ou vídeos curtos, como forma de restringir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos considerados impróprios. A medida representa uma mudança no modelo atual, que se baseia apenas na data de nascimento informada pelo próprio usuário no momento do cadastro.

A proposta é utilizar tecnologia de reconhecimento facial com apoio de inteligência artificial para estimar a idade da pessoa a partir da imagem enviada. Em casos de dúvida ou inconsistência, as redes poderão solicitar também o envio de um documento oficial, como RG ou passaporte, para confirmação.

Entre as plataformas que já anunciaram mudanças está o Discord, que pretende classificar automaticamente as contas como pertencentes a menores de idade até que o usuário comprove ser adulto. A verificação será exigida, principalmente, para acesso a canais com restrição etária, conteúdos sensíveis e determinadas funcionalidades.

De acordo com as empresas, o objetivo é reforçar a proteção de menores no ambiente digital, dificultando que crianças e adolescentes burlem as regras ao informar idades falsas. A iniciativa também responde a pressões regulatórias em diferentes países, onde governos discutem ou já implementam leis mais rígidas sobre segurança online e responsabilidade das plataformas.

O processo de verificação costuma ocorrer em etapas. Primeiro, o usuário é convidado a tirar uma selfie ou gravar um breve vídeo. Em seguida, um sistema automatizado analisa a imagem para estimar a faixa etária. Caso o resultado não seja conclusivo, a plataforma pode exigir documentação adicional antes de liberar o acesso.

Apesar da justificativa de segurança, a medida levanta questionamentos sobre privacidade e proteção de dados. Especialistas alertam para os riscos associados ao armazenamento de informações sensíveis, como imagens faciais e documentos pessoais, e defendem regras claras sobre uso, guarda e descarte desses dados.

As empresas afirmam que os materiais enviados não serão utilizados para outros fins e que seguem padrões de segurança e legislação de proteção de dados. Ainda assim, o tema deve continuar no centro do debate público, à medida que mais redes sociais adotam sistemas de verificação de idade mais rigorosos.

A tendência indica uma nova fase de controle no acesso às plataformas digitais, na tentativa de equilibrar liberdade de uso, proteção de menores e direitos à privacidade.