Da Redação
Nos últimos meses, nomes conhecidos da indústria nacional, como as fabricantes Lupo e Riachuelo, têm transferido parte de suas operações para o Paraguai, em especial para Ciudad del Este — a cidade fronteiriça tradicionalmente associada ao comércio variado entre Brasil e Paraguai.
Esse movimento não é fruto de uma “fuga”, como muitos comentam, mas sim uma estratégia empresarial diante de um ambiente de negócios mais favorável ao outro lado da fronteira.
O que motiva a saída das empresas brasileiras
Um dos fatores centrais que explica essa mudança é o custo de produção sensivelmente menor no Paraguai, resultado de um sistema tributário mais simples e de incentivos fiscais específicos para fábricas estrangeiras.
No Paraguai, empresas instaladas sob o regime de Lei Maquila têm acesso a benefícios como:
- Isenção ou redução de impostos sobre importação de máquinas e matérias-primas;
- Energia e mão de obra mais baratas;
- Tributação mais baixa sobre exportações e lucros;
- Menos burocracia comparada ao complexo sistema tributário brasileiro.
Especialistas ressaltam que produzir no Paraguai pode ser até cerca de 30 % mais barato do que no Brasil, o que torna a operação economicamente mais viável para setores intensivos em mão de obra e energia.
Lupo e Riachuelo: exemplos de um fenômeno maior
A tradicional marca de meias Lupo, por exemplo, inaugurou uma nova fábrica em Ciudad del Este para reduzir custos e manter sua competitividade, após enfrentar pressões tributárias e de encargos no Brasil que prejudicaram sua margem de lucro.
Também a Riachuelo, grande varejista de moda, segue essa tendência ao planejar parte de sua produção no país vizinho, aproveitando o ambiente fiscal mais leve para ampliar sua presença regional e oferecer preços mais competitivos.
Esse processo não se limita apenas a essas duas empresas: um número crescente de indústrias brasileiras — de têxteis a embalagens — tem investido em plantas no Paraguai devido à estabilidade e previsibilidade tributária que o país oferece.
Um contexto de integração econômica
O fenômeno ocorre em um cenário de integração econômica mais ampla entre Brasil e Paraguai, facilitado por acordos comerciais regionais como o Mercosul e o fluxo constante de mercadorias e pessoas entre os dois países.
Enquanto algumas vozes interpretam essas mudanças como uma perda de investimentos no Brasil, outras veem nelas uma adaptação das empresas brasileiras a regras mais competitivas da região, com o Paraguai emergindo como um polo produtivo atrativo na América do Sul.






