Da Redação

Nesta segunda-feira (9), o Japão deu um passo importante na retomada da energia atômica ao reativar o reator número 6 da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, considerada a maior central nuclear do mundo em capacidade instalada. O equipamento, que estava fora de operação desde os desligamentos que seguiram o desastre de Fukushima em 2011, voltou a gerar atividade após a identificação e correção de uma falha técnica detectada em uma tentativa anterior no mês passado.

Operada pela Tokyo Electric Power Company (TEPCO) na província de Niigata, cerca de 220 km ao noroeste de Tóquio, a usina de Kashiwazaki-Kariwa possui vários reatores e um potencial de geração que a torna a maior do mundo do tipo. O reinício do reator nº 6 — agora em fase de testes e verificação — coloca a instalação na rota de operação comercial prevista para 18 de março, segundo a empresa controladora.

O reator havia sido brevemente ligado no final de janeiro, mas foi desligado no dia seguinte devido a um alarme relacionado a um ajuste nos sistemas de controle, que não comprometeu a segurança, mas exigiu uma revisão detalhada. Após a investigação, a TEPCO ajustou os parâmetros do sistema e concluiu que não há impedimentos técnicos para continuar.

O retorno à operação de Kashiwazaki-Kariwa representa uma mudança significativa na política energética do Japão, que tinha desligado quase todos os seus reatores nucleares após o terremoto e tsunami de 2011, que causaram derretimentos no complexo de Fukushima Daiichi e levaram à paralisação de grande parte da capacidade nuclear do país por questões de segurança.

A reativação da maior usina nuclear do mundo ocorre num momento em que o governo japonês busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis, garantir estabilidade no fornecimento de energia e avançar nas metas de neutralidade de carbono, além de atender ao aumento da demanda por eletricidade.

No entanto, a decisão de religar o reator enfrenta preocupações de moradores e ativistas locais, que apontam para os riscos sísmicos da região e recordam o impacto do desastre de Fukushima, gerando debates contínuos sobre a segurança da energia nuclear no país.