Da Redação

A crescente popularidade das chamadas “canetas emagrecedoras” medicamentos injetáveis originalmente criados para tratar diabetes tipo 2 e obesidade, trouxe um novo desafio à saúde pública, com profissionais e autoridades reforçando que o uso sem prescrição médica e acompanhamento especializado pode ser perigoso.

Esses medicamentos ganharam destaque nas redes sociais e conversas cotidianas por sua capacidade de promover perda de peso rápida. No entanto, especialistas alertam que muitas pessoas estão empregando as canetas por motivos estéticos, sem ter obesidade ou indicação clínica, ignorando riscos sérios à saúde.

Autoridades sanitárias, como a Secretaria de Estado da Saúde e vigilância sanitária, têm reforçado que qualquer uso fora de farmácias regulamentadas e sem receita médica aumenta a chance de efeitos adversos, como náuseas, vômitos, diarreia, hipoglicemia e complicações mais graves. A comercialização irregular inclusive foi alvo de normativas que proíbem a venda de produtos sem registro no Brasil, com apreensões e fiscalização sendo intensificadas.

Médicos endocrinologistas destacam que, embora esses medicamentos possam ser valiosos para pessoas com obesidade (IMC acima de 30) ou com sobrepeso relacionado a comorbidades, a automedicação é um risco real — especialmente quando não há exames prévios ou acompanhamento para monitorar efeitos colaterais.

Um dos efeitos mais perigosos associados ao uso inadequado é a pancreatite aguda, uma inflamação do pâncreas que pode ser difícil de identificar inicialmente, pois seus sintomas podem parecer efeitos colaterais leves de tratamento, como enjoos, antes de evoluir para dores abdominais intensas.

Profissionais de saúde recomendam que, antes de iniciar qualquer tratamento com estas canetas, os pacientes realizem exames preventivos — por exemplo, ultrassom abdominal para verificar a vesícula e identificar riscos de cálculos ou lodo biliar, que também podem desencadear complicações.

Além disso, a pressão social por um corpo considerado ideal teria impulsionado muitos ao uso indevido dessas medicações, tomando decisões baseadas em tendências ou opiniões alheias ao invés de critérios médicos.

Especialistas reforçam que essas terapias devem sempre estar inseridas em um plano de tratamento mais amplo, que inclua orientação nutricional, modificação de hábitos alimentares e atividade física, sob supervisão profissional — uma combinação essencial para resultados seguros e sustentáveis.