Da Redaçaõ
O clima entre Washington e Teerã entrou em um novo patamar de tensão depois que negociações que estavam agendadas para esta sexta-feira (6) foram abruptamente canceladas pelo governo americano. A reunião, que ocorreria em Istambul para discutir um possível acordo com o Irã, foi suspensa após o regime persa se recusar a debater todos os termos exigidos pelos Estados Unidos, ampliando o abismo entre as partes e elevando o risco de um confronto militar nas próximas horas.
Autoridades americanas, representadas por Steve Witkoff — enviado de Washington ao Oriente Médio —, afirmaram que as diferenças são profundas e que “não há como construir ponte para o diálogo” enquanto Teerã mantiver condições restritas à mesa de negociações. Entre as controvérsias está a insistência do Irã em limitar a pauta apenas ao programa nuclear, enquanto os Estados Unidos querem tratar também da produção de mísseis balísticos e do apoio iraniano a grupos considerados terroristas por Washington e aliados.
O Irã, por sua vez, reiterou que só aceita debater o controle de seu estoque de urânio enriquecido — que já ultrapassou 400 kg — e rejeitou ampliar os termos, incluindo a supervisão internacional ampla que os EUA desejam. A recusa em abordar questões como mísseis e apoio a organizações armadas tem sido uma linha vermelha para o regime dos aiatolás.
Outro ponto de atrito recente foram ações provocativas da Guarda Revolucionária iraniana no Golfo Pérsico, como a aproximação de um drone militar ao porta-aviões USS Abraham Lincoln e tentativas de interceptar navios no Estreito de Ormuz. Esses episódios contribuíram para a decisão americana de cancelar a rodada de conversas e aumentar a retórica contra Teerã.
O presidente dos Estados Unidos alertou que “coisas muito ruins vão acontecer” caso um acordo não seja firmado, e analistas internacionais passam a considerar possível uma ação militar americana contra o Irã dentro de 48 horas se as negociações continuarem estagnadas.
O impasse reflete uma escalada mais ampla de disputas entre o Ocidente e o Irã sobre controle nuclear, capacidade de mísseis e influência regional — questões que continuam a polarizar posições e a aumentar o risco de um confronto direto no Oriente Médio.






