WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O nome do arquiteto brasileiro Arthur Casas aparece nos arquivos de Jeffrey Epstein, criminoso sexual americano morto em 2019. Os documentos foram tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Arthur Casas é um renomado arquiteto brasileiro com escritórios em São Paulo, Nova York e Lisboa. Em trocas de mensagens entre uma assistente do arquiteto e Lesley Groff, que se apresenta como assistente pessoal de Epstein, é mencionada a possibilidade de uma reunião por videochamada entre os dois.
As conversas também citam uma eventual visita do arquiteto à ilha de Saint James, então pertencente a Epstein. Localizada no Caribe, a propriedade ficou conhecida como “ilha Epstein”.
Nos emails, uma pessoa chamada Jean Huguen encaminha uma mensagem a Epstein, no início de janeiro de 2016, indicando o trabalho do arquiteto brasileiro.
“Encontrei o nome do arquiteto brasileiro. Eu gosto muito do trabalho dele”, diz Huguen, que encaminha a foto de alguns dos projetos do arquiteto no documento disponibilizado pelo Departamento de Justiça, não é possível ver quais materiais foram enviados ao abusador.
Depois, de acordo com os documentos, a equipe de Epstein passa a se corresponder com o escritório de Casas. Um dos arquivos indica que a assistente do americano avisou que o arquiteto gostaria de se encontrar com o financista em Nova York.
“Eles organizaram toda essa viagem (ilha, Miami, NY) e estão considerando cancelar a viagem inteira caso você não queira se encontrar com ele em Nova York. Eles esperam que você possa dar uma resposta ainda hoje.”
Epstein respondeu que não havia “interesse em uma reunião em Nova York”.
Em 2016, Epstein já havia se declarado culpado por crimes sexuais envolvendo menores, em um processo encerrado em 2008 na Flórida. O caso ficou marcado por um acordo judicial incomum, que lhe permitiu cumprir pena reduzida e fora do sistema prisional tradicional, o que gerou questionamentos persistentes de promotores, juristas e organizações de defesa das vítimas.
Àquela altura, reportagens e investigações jornalísticas já apontavam falhas no acordo e levantavam suspeitas sobre a influência política e financeira de Epstein, fazendo com que seu nome estivesse associado a controvérsia pública e desgaste reputacional, especialmente em ambientes institucionais e profissionais sensíveis.
Em nota, o escritório de Arthur Casas afirma que, em 2016, foi procurado pela assistente de Epstein com um pedido de proposta para o desenvolvimento de um projeto arquitetônico relacionado a uma possível reforma na ilha.
“No contexto dessa abordagem inicial e em caráter estritamente preliminar, Arthur Casas realizou uma visita técnica, acompanhado de uma arquiteta que atuava como gerente de projetos internacionais”, diz o comunicado. Segundo a nota, o arquiteto esteve na ilha caribenha apenas para essa visita técnica, junto de uma integrante de sua equipe.
Ainda de acordo com o escritório, após essa etapa inicial, foram elaborados e encaminhados os esclarecimentos e as informações solicitadas, “sempre se limitando estritamente ao âmbito profissional e preliminar de uma possível prestação de serviços”. Por fim, o Studio Arthur Casas afirma que a contratação não avançou e que não houve início de qualquer trabalho de desenvolvimento do projeto.
Na última sexta (30), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou um novo conjunto de arquivos relacionados a Epstein. A divulgação foi o mais recente esforço do governo de Donald Trump para cumprir a lei aprovada em novembro que exigia que a pasta divulgasse todos os registros relacionados a Epstein até 19 de dezembro de 2025.
O departamento havia dito no final do ano que ainda tinha mais de cinco milhões de páginas para revisar e precisava realocar centenas de advogados para fazê-lo, atraindo críticas de alguns membros do Congresso de que o ritmo lento do governo na divulgação havia violado a lei.
O escândalo tornou-se um problema político persistente para Trump, que já enfrenta índices de aprovação em queda em uma série de questões, incluindo sua gestão da economia e as operações de repressão a imigrantes.






