Da Redação

Uma nova escalada de confrontos em Gaza resultou nesta quarta-feira (4) na morte de dezenas de civis e provocou uma interrupção na passagem de pacientes pela fronteira de Rafah, na divisa com o Egito, em um momento em que a região vivia um frágil cessar-fogo e limiares de acesso humanitário.

De acordo com autoridades de saúde locais, ataques aéreos e bombardeios de blindados israelenses atingiram áreas densamente povoadas da Cidade de Gaza e de Khan Younis, resultando em pelo menos 18 mortos — incluindo crianças — em vários pontos da Faixa de Gaza.

O Exército israelense informou que as ações militares foram desencadeadas após um ataque a tiros contra soldados israelenses, que deixou um reservista em estado grave, o que justificaria, segundo fontes militares, o uso de força em Gaza.

Pouco antes dessa nova onda de ataques, a passagem de Rafah havia sido reaberta parcialmente como parte de um acordo de trégua que buscava aliviar o bloqueio humanitário que perdurava por mais de dois anos e permitir que pacientes graves saíssem para receber tratamento médico no Egito. Porém, a saída de pacientes foi suspensa nos últimos dias, surpreendendo pessoas que já aguardavam nos hospitais da região.

Pacientes que se preparavam para atravessar a fronteira a partir de Khan Younis foram informados de que as travessias foram adiadas por tempo indeterminado, apesar de autoridades israelenses sustentarem que a passagem permanece aberta e alega-se falta de coordenação com a Organização Mundial da Saúde para viabilizar a viagem.

Fontes independentes também relatam que a implementação prática da reabertura tem sido lenta e frustrante: apenas um número reduzido de pacientes e acompanhantes conseguiu cruzar nos dias anteriores, enquanto milhares ainda esperam por tratamento fora da Faixa de Gaza.

O agravamento da violência e a interrupção dos planos de evacuação médica ocorrem em um momento em que o cessar-fogo vigente se mostra cada vez mais frágil, com confrontos diários e dezenas de vítimas civis registradas desde sua implementação.

Essa situação reforça as dificuldades humanitárias enfrentadas pela população de Gaza, onde o acesso a serviços de saúde e ajuda internacional continua comprometido pela insegurança e pelas restrições de movimento nas vias de saída essenciais.