A REDAÇÃO
A cerimônia do Oscar 2026 está marcada para 15 de março, no Teatro Dolby, em Los Angeles, mas a disputa nos bastidores de Hollywood ganhou repercussão já nesta quinta-feira (22), após a divulgação da lista de indicados. O diretor espanhol Oliver Laxe, cujo filme Sirât concorre na categoria de melhor filme internacional, comentou de forma irônica a indicação do brasileiro O Agente Secreto e fez uma crítica direta à composição da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Durante participação no talk show La Revuelta, da emissora pública espanhola TVE, Laxe afirmou que a presença de brasileiros entre os membros da Academia influenciaria as votações. Segundo ele, “há muitos brasileiros na Academia” e esses integrantes seriam “ultranacionalistas”, sugerindo que qualquer produção inscrita pelo país receberia apoio automático. O cineasta adotou um tom de distanciamento em relação à premiação e declarou que considera os prêmios um complemento ao trabalho, reforçando que seu principal objetivo é fazer filmes.
As declarações repercutiram rapidamente nas redes sociais após o fim do programa, com internautas criticando a postura do diretor. Comentários apontaram insatisfação com o teor da fala e ironizaram a justificativa apresentada por Laxe, associando o discurso a uma tentativa de desqualificar a concorrência brasileira.
Ao citar o peso do Brasil dentro da Academia, Laxe mencionou o grupo de cerca de 70 profissionais brasileiros que integram a instituição, entre eles nomes como Sonia Braga, Rodrigo Santoro, Alice Braga, Maeve Jinkings, Wagner Moura e Selton Mello, além de diretores como Walter Salles, Cacá Diegues, Fernando Meirelles, Anna Muylaert e Kleber Mendonça Filho. Em 2025, outros dez profissionais do setor audiovisual brasileiro receberam convites para se tornarem membros, entre eles Fernanda Torres, Murilo Hauser e Daniel Filho. Atualmente, a Academia reúne cerca de 10,9 mil integrantes, sendo pouco mais de 9,9 mil com direito a voto. O ingresso ocorre por indicação de membros da mesma área, após avaliação de um comitê interno, enquanto indicados ao Oscar passam a integrar automaticamente o grupo elegível à filiação.
O filme O Agente Secreto alcançou um marco histórico ao receber quatro indicações no Oscar 2026: melhor filme, melhor filme internacional, melhor direção de elenco e melhor ator, para Wagner Moura. É a segunda vez que uma produção brasileira atinge esse número de indicações, mais de 20 anos depois de Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles.






