Da Redação

Mesmo com a redução de diversos indicadores criminais em Goiás ao longo de 2025, os assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero seguiram caminho oposto. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado mostram que 59 feminicídios foram registrados no ano passado, número superior ao contabilizado em 2024, quando houve 56 ocorrências.

A maioria dos crimes aconteceu dentro de residências, cenário que reforça o caráter doméstico desse tipo de violência. Segundo a SSP, em grande parte dos casos as vítimas foram mortas por companheiros ou ex-companheiros, o que evidencia a dificuldade de prevenção quando a agressão ocorre no ambiente privado.

Outro dado que chama atenção é que apenas uma pequena parcela das mulheres assassinadas possuía medidas protetivas de urgência no momento do crime. Isso indica que muitas vítimas não chegaram a denunciar ameaças ou agressões anteriores, o que limita a atuação do poder público antes que a violência atinja níveis extremos.

Especialistas avaliam que o aumento também pode estar relacionado à consolidação do feminicídio como crime autônomo, mudança recente na legislação que impacta a forma de registro e classificação das ocorrências. Ainda assim, o crescimento do número de casos reforça o alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes no enfrentamento da violência contra a mulher.

Apesar do avanço em outras áreas da segurança, o cenário do feminicídio em Goiás segue como um dos principais desafios do Estado, exigindo ações integradas de prevenção, acolhimento às vítimas e punição aos agressores.