Da Redação

A primeira edição do Enamed, prova criada para avaliar a formação dos estudantes de medicina no Brasil, apontou resultados preocupantes: cerca de 30% dos cursos avaliados ficaram abaixo da proficiência que o Ministério da Educação considera adequada — o que pode gerar sanções para essas instituições. 

O exame, que passou a substituir o antigo Enade para a área médica e é aplicado pelo Inep em parceria com o MEC, analisou 351 cursos de medicina de todo o país. Os resultados foram apresentados nesta segunda-feira (19) em Brasília, com a presença também de representantes do Ministério da Saúde. 

Resultados gerais

Do total de cursos avaliados:

  • Cerca de 243 instituições alcançaram desempenho considerado satisfatório, atendendo ao critério mínimo de proficiência.
  • 107 cursos obtiveram notas nos níveis 1 ou 2 (considerados insatisfatórios) — equivalendo a cerca de um terço da amostra.  

Segundo os dados oficiais, aproximadamente 67% dos estudantes concluintes do curso tiveram desempenho considerado proficiente, segundo os critérios do exame. Isso significa que quase um terço dos futuros médicos não demonstrou o nível de conhecimento esperado para a conclusão da graduação. 

Penalidades e consequências

Os cursos que receberam notas 1 ou 2 vão enfrentar restrições por parte do MEC no próximo período:

  • Redução ou suspensão de vagas para novos alunos.
  • Bloqueio de novos contratos com programas federais, como o Fies e o Prouni.
  • Proibição de ampliar vagas ou até impedir a entrada de novas turmas em casos mais graves.  

Essas medidas valem já para o ciclo de 2026, com prazo para que as instituições apresentem defesa e tentem reverter ou justificar os resultados. 

Disparidades entre instituições

A avaliação também mostrou diferenças significativas no desempenho por tipo de instituição:

  • Universidades federais e estaduais obtiveram os melhores resultados, com alta proporção de cursos nas faixas superiores do exame.
  • Já cursos de instituições municipais e privadas com fins lucrativos figuraram mais frequentemente nas faixas de desempenho insatisfatório.  

Contexto e próximos passos

O Enamed será aplicado de forma anual e passará a incluir também estudantes do 4º ano de medicina, antes da entrada no internato, como forma de monitorar a formação médica ao longo da graduação. 

O objetivo do Ministério da Educação e da Saúde é criar um instrumento mais rígido e detalhado de avaliação da qualidade do ensino médico no Brasil, buscando garantir que os profissionais formados tenham conhecimento compatível com as necessidades do sistema de saúde pública e privada.