Da Redação
Durante a campanha presidencial de 2022, conteúdos pejorativos e discursos de ódio dirigidos a pessoas do Nordeste brasileiro tiveram um aumento sem precedentes nas redes sociais, aponta um estudo acadêmico.
Pesquisadores do grupo Interfaces da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) analisaram 282 milhões de postagens publicadas no Twitter (hoje X) entre julho e dezembro de 2022 com ferramentas avançadas de inteligência artificial e processamento de linguagem natural para detectar padrões de linguagem discriminatória.
Os resultados mostram que, à medida que a eleição se aproximava, o uso de termos ofensivos associados à palavra “nordestino” cresceu de forma acelerada. No mês de outubro, quando ocorreram os dois turnos da disputa presidencial, postagens desse tipo chegaram a triplicar em relação aos meses anteriores, resultando em um aumento total de 821 % no discurso de ódio direcionado à população nordestina nas redes sociais durante o período analisado.
Além da xenofobia regional, o estudo observou que outros tipos de crimes de ódio também cresceram nas plataformas digitais em 2022: casos de intolerância religiosa tiveram alta de 522 %, e expressões misóginas aumentaram 184 %.
Os pesquisadores destacam que esse tipo de preconceito se manifesta como uma forma moderna de xenofobia, baseada em estereótipos históricos ligados a fatores econômicos e migratórios. Eles também apontam que, embora as próprias plataformas tenham tecnologia para identificar conteúdos problemáticos, o uso efetivo dessas ferramentas para combater o discurso de ódio depende de políticas internas e decisões regulatórias, e a legislação atual, como a Lei Antirracismo (Lei 7.716/1989), ainda encontra limitações quando aplicada a casos de preconceito regional.
O estudo foi financiado pela FAPESP e publicado na revista científica GEMInIS, fornecendo dados quantitativos que podem influenciar debates sobre moderação de conteúdo nas redes e proteção contra discriminação online.






