Da Redação
O Cerrado voltou a ser protagonista nas estatísticas nacionais de perda de vegetação em 2025, ficando à frente da Amazônia como o bioma mais impactado pela derrubada de vegetação no país pelo terceiro ano seguido, segundo dados do sistema DETER do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No total, foram registrados 7.235 km² de áreas suprimidas no Cerrado em todo o Brasil, um indicador que mantém alta pressão sobre esse importante ecossistema, conhecido como o “berço das águas” brasileiro.
Apesar desse cenário nacional preocupante, Goiás mostrou desempenho bem acima da média brasileira: do total do Cerrado desmatado em 2025, apenas cerca de 231 km² ocorreram dentro do estado, representando uma fração muito menor do impacto observado no país.
Segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD) da rede MapBiomas, Goiás foi o estado que mais conseguiu reduzir alertas de desmatamento em 2024 — com uma queda de 71,9% em relação ao ano anterior — e atingiu o menor nível documental de perda de vegetação na série histórica monitorada pelo Inpe.
Autoridades ambientais goianas atribuíram o resultado à combinação de medidas de fiscalização mais rígidas, uso de tecnologia de monitoramento por satélite, integração de banco de dados e políticas de incentivo à conservação. A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) afirmou que grande parte das áreas identificadas foi alvo de ações fiscais, como embargos e multas, e que o estado também zerou a fila de licenciamento ambiental, trazendo maior segurança jurídica e previsibilidade aos produtores.
Além disso, programas como o Cerrado em Pé, que remunera proprietários rurais que mantêm vegetação nativa preservada além do exigido por lei, têm sido destacados como instrumentos para conciliar produção agrícola e proteção ambiental.
Mesmo com os avanços locais, ambientalistas ressaltam que a perda acumulada no bioma é enorme: estima-se que cerca de 27% da vegetação original do Cerrado já tenha sido destruída no Brasil, enquanto em Goiás cerca de 35% ainda permanece preservado, sublinhando a necessidade de manter e expandir ações de proteção.






