Da Redação

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (13) que as investigações em torno da situação do Banco Master podem revelar a maior fraude bancária da história do país, diante de suspeitas de irregularidades em operações financeiras e da intervenção da autoridade monetária no caso. 

Em declarações à imprensa no Ministério da Fazenda, Haddad enfatizou que a complexidade das apurações exige rigor técnico e cautela, mas lembrou que os indícios já levantados são graves e impactam o sistema financeiro nacional. O ministro também defendeu a atuação do Banco Central (BC) e afirmou que tem mantido diálogo constante com o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, desde que foi decretada a liquidação do banco. 

“O caso inspira muito cuidado. Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país”, disse Haddad, acrescentando que é preciso garantir espaço para a defesa se explicar, sem perder de vista o interesse público. 

Como o caso chegou até aqui

O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master no fim de 2025, após identificar uma série de problemas que colocaram a instituição em grave crise de liquidez e levantaram suspeitas de irregularidades em operações com títulos de crédito e outros ativos. 

A liquidação acionou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — mecanismo que protege depositantes em situações de quebra de banco — e que deve cobrir até cerca de R$ 41 bilhões em depósitos elegíveis de clientes atingidos pela crise. O FGC é composto por contribuições de bancos privados, mas também recebe aporte de instituições públicas como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. 

A Polícia Federal já realizou ações em diferentes frentes do caso, incluindo operações de busca e apreensão ligadas a executivos com vínculos ao banco, enquanto o presidente da instituição enfrentou prisão no passado em meio às investigações. 

Impactos e desdobramentos

O efeito potencialmente bilionário do caso sobre o sistema financeiro e o Fundo Garantidor tornou o episódio um tema de interesse público, tanto pelo volume de recursos envolvidos quanto pela necessidade de preservar a confiança no mercado bancário. 

Haddad também mencionou articulações com órgãos de controle, incluindo o Tribunal de Contas da União (TCU), ressaltando a importância de convergência institucional para que todos os aspectos do caso sejam devidamente esclarecidos. 

Defesa e próximas etapas

Especialistas observam que a investigação ainda está em curso e que a confirmação de fraude econômica em larga escala depende de resultados concretos de apurações e de possíveis processos judiciais. Até o momento, declarações oficiais falam em “possibilidade” frente ao conjunto dos indícios levantados. 

O ministro Haddad reforçou que, apesar da gravidade do caso, todos os envolvidos terão a oportunidade de se defender dentro dos procedimentos legais, destacando a importância de transparência e respeito ao devido processo legal.